Miolo lança vinhos excepcionais de 2023 e mira catalogar safras brasileiras

Lançada apenas em safras consideradas extraordinárias, coleção Sete Lendários também reflete a evolução da vitivinicultura nacional, impulsionada por pesquisas e aprimoramento no manejo dos vinhedos

Saulo Tafarelo, do Viagem & Gastronomia
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Investimentos em tecnologia, muito estudo e uma pitada de ousadia ajudam na evolução da vitivinicultura, mas a natureza segue implacável como a soberana da qualidade de uma safra. Para a Miolo Wine Group, maior exportadora de vinhos do país, 2023 foi assim: as condições climáticas favoreceram uma maturação excepcional das uvas, permitindo que cada um dos terroirs da vinícola expressasse o máximo potencial.

Para honrar a safra, a Miolo lançou na última quinta-feira (16) os Sete Lendários 2023, grupo de sete vinhos que marca a quarta edição da coleção Sete Lendários, lançada apenas quando a safra é considerada "extraordinária". Até agora, 2018, 2020 e 2022 também entraram para a história do grupo.

"A coleção dos Sete Lendários representa o que melhor sabemos fazer em vitivinicultura, em enologia e em vinhos", disse Adriano Miolo, Diretor Superintendente e Enólogo-Chefe do Grupo Miolo, durante o lançamento da coleção no restaurante Dalva e Dito, de Alex Atala, em São Paulo.

Os Lendários poderão servir para catalogar safras brasileiras, assim como se faz na Europa, por exemplo. Esperamos que esse projeto faça isso, para que um dia tenhamos nossas safras classificadas, ajudando o reconhecimento do vinho brasileiro
Adriano Miolo, Enólogo-Chefe do Grupo Miolo

O primeiro lendário

Nascido no Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul, o Miolo Lote 43 deu origem à coleção Lendários. O rótulo homenageia o patriarca Giuseppe Miolo e simboliza a raiz e o legado da família. A primeira safra deu-se há 27 anos, em 1999.

Até hoje, o Lote 43 teve 12 safras lançadas, ou seja, menos da metade conseguiu atingir um bom resultado. De lá para cá, muita coisa mudou dentro e fora dos vinhedos.

"Conseguimos entender melhor o terroir brasileiro e fizemos muita pesquisa para entender o solo. Esse período nos permitiu entender o limite de cada terroir e de cada variedade. Mais do que buscar vinhos muito concentrados de madeira e envelhecimento, procuramos entender a identidade da variedade e do terroir, encontrando o momento certo da colheita", explica Adriano.

A Miolo nasceu como empresa em 1989, quando passou a produzir o próprio vinho para a venda a granel para outras vinícolas. No começo, eram 30 hectares de vinhedos; hoje, a soma esbarra os mil hectares, divididos em quatro vinícolas, espalhadas por quatro terroirs. Além do Vale dos Vinhedos, o grupo está presente na Campanha Meridional e na Campanha Central, no Rio Grande do Sul, além do Vale do São Francisco, na Bahia.

Olhando para a história do vinho brasileiro, a Miolo acompanhou e também foi agente das mudanças na vitivinicultura nacional. Entre as mudanças de peso, entra em jogo a baixa produtividade da videira para privilegiar a qualidade.

"Uma mudança significativa é a substituição do sistema de latada por espaldeira. Latada é aquele sistema de pérgola, que busca uma alta produtividade. O cacho fica escondido na sombra, o sol não aparece. A Europa fazia isso há muito tempo e, apesar de não ser uma grande inovação, considero essa uma das primeiras grandes mudanças no Brasil", conta Adriano ao CNN Viagem & Gastronomia.

Assim, a produção por planta caiu de cerca de 20 kg para, no máximo, 4 kg. "A uva amadurece melhor, não apodrece e temos um controle de enfermidades. A grande mudança começou no vinhedo", arremata o enólogo.

Vale ressaltar que, por uma década, entre 2003 e 2013, a Miolo contou com a assessoria de Michel Rolland, enólogo francês que faleceu em março deste ano e que ajudou a equipe a entender melhor as variedades e os diferentes terroirs em que trabalham.

Os vinhos lendários

Para Adriano Miolo, o fio condutor que une os vinhos da coleção Sete Lendários 2023 é o potencial de guarda.

Os favoritos do enólogo, aqueles que julga mais "prontos", são o Lote 43, corte de Merlot e Cabernet Sauvignon do Vale dos Vinhedos que passa 12 meses em barrica de carvalho francês e americano, e o Miolo Sebrumo, 100% Cabernet Sauvingon produzido na Vinícola Seival, na Campanha Meridional.

O Miolo Testardi Syrah 2023 é o único com terroir nordestino, com a Syrah cultivada às margens do Rio São Francisco, em Casa Nova (BA), onde fica a Vinícola Terranova. O vinho reflete notas de uma região quente, produzido sob clima tropical semiárido, relembrando que a irrigação foi fundamental para a vitivinicultura no Vale do São Francisco.

De volta ao Rio Grande do Sul, o Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, também dá origem ao Miolo Merlot Terroir, elaborado a partir de parcelas selecionadas de quatro vinhedos.

Na Vinícola Seival, em Candiota, surgem ainda o Miolo Quinta do Seival Castas Portuguesas, que une Touriga Nacional e Tinta Roriz, e o Miolo Sesmarias, primeiro vinho brasileiro elaborado com fermentação integral em barricas novas de carvalho francês, formado pelo corte de Cabernet Sauvignon, Merlot, Petit Verdot, Tannat, Tempranillo e Touriga Nacional. Individualmente, é também o rótulo mais caro dos Sete Lendários, vendido a R$ 1.239,90.

Por fim, na Vinícola Almadén, em Santana do Livramento, na Campanha Central, é elaborado o Miolo Vinhas Velhas Tannat, cujas uvas são provenientes do vinhedo de Tannat mais antigo do Brasil, plantado em 1976.

A caixa com os Sete Lendários 2023 é vendida no e-commerce da Miolo por R$ 2.596,90, mas os rótulos podem ser adquiridos separadamente, com valores a partir de R$ 157,90.

 

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