Conheça a Grande Ópera de Xangai, novo complexo cultural da China
Com mais de 146 mil m², edifício de arquitetura monumental reúne três auditórios, capacidade para 4,2 mil pessoas e áreas públicas com vista para o rio Huangpu
Xangai, uma das maiores cidades da China, ganhou um novo atrativo cultural em outubro. Às margens do rio Huangpu, a Grande Ópera de Xangai foi inaugurada com a proposta de ampliar a oferta de espaços dedicados às artes cênicas na metrópole, reunindo teatro voltado a apresentações de padrão internacional e áreas públicas de acesso livre.
O projeto também busca integrar o edifício monumental à paisagem urbana e contribuir para a revitalização do distrito de Houtan, área que abrigou a Expo 2010 de Xangai e onde fica o Parque Houtan. A proposta amplia a conexão entre o complexo cultural, as áreas verdes e a orla do rio Huangpu.
Com 146,7 mil m², a casa deverá receber espetáculos de estilos distintos, de óperas tradicionais a produções experimentais. No total, são três auditórios com diferentes configurações e capacidade para 4,2 mil pessoas. A ideia é que o complexo funcione como um polo multifuncional, reunindo não apenas apresentações, mas também ensaios, atividades de produção, programas educativos, exposições e serviços de hospitalidade.
O projeto é do escritório norueguês Snøhetta, que também foi responsável pela arquitetura da Biblioteca Presidencial Theodore Roosevelt, inaugurada nos Estados Unidos no último dia 4 de julho.
A empresa saiu vencedora de um concurso internacional em 2016 e, três anos depois, foi contratada oficialmente para desenvolver o espaço junto ao Instituto de Pesquisa e Design Arquitetônico da China Oriental, à Theatre Projects e à Nagata Acoustics.
A proposta é guiada por três ideias: movimento, pertencimento e experiência. Segundo o escritório, o movimento atua como um conector, moldando a forma como as pessoas se aproximam, entram e andam pelo edifício. O pertencimento surge por meio de um ambiente aberto e acolhedor. Por sua vez, a experiência define a atmosfera da casa e a sequência espacial para visitantes, público e artistas.
Por dentro da Grande Ópera de Xangai
Um dos destaques é a cobertura, que remete a um movimento de abraço e ao fluxo do Huangpu, rio que corta Xangai. Aberta ao público durante todo o ano, a cobertura é uma espécie de mirante e espaço de convivência.
Abaixo dela, restaurantes, espaços de exposição, centros educacionais e auditórios estão interconectados e mantêm um diálogo com a paisagem ao redor.
Uma escada em espiral conecta o térreo ao terraço e faz do movimento uma parte essencial da experiência. Outro detalhe é que grandes painéis de vidro permitem a entrada de luz natural, fazendo com que o edifício se transforme ao longo do dia e das estações do ano.

No interior, a sala principal se destaca como um volume único, esculpido e revestido em vermelho. Pensadas para atender às exigências acústicas de uma ópera, suas formas e superfícies foram projetadas para favorecer a propagação e a ressonância da voz humana.
Os pisos e os revestimentos das galerias e das salas também são compostos por materiais que contribuem para a acústica do ambiente.
O Harmony Hall é o auditório principal e fica no coração da Ópera. Com capacidade para duas mil pessoas, o local conta com plateia e camarotes, tudo pensado para diminuir a distância até o palco e aumentar a intimidade.
Outro auditório é o Soar Theatre, que tem espaço para 1,2 mil pessoas e oferece um ambiente mais intimista para espetáculos de menor escala. É adequado para óperas barrocas e clássicas, operetas, produções regionais e peças de teatro.
Já o Open Stage comporta mil pessoas e permite apresentações experimentais e flexíveis, já que possui uma configuração adaptável de palco e assentos. O espaço ainda oferece vista panorâmica para o parque e o terraço circundante.
Função pública do espaço
A Grande Ópera de Xangai foi concebida como um complexo cultural multifuncional, que integra diferentes atividades e mantém áreas de circulação pública abertas à visitação.
Os visitantes não precisam assistir a uma apresentação para vivenciar o edifício. O terraço, as conexões com a paisagem, os restaurantes, os espaços de exposição e as instalações educacionais permitem tanto a realização de eventos formais quanto o uso do espaço no dia a dia.
O projeto também prioriza soluções de design que contribuem para reduzir a demanda energética e o impacto no meio ambiente, como a integração paisagística e o aproveitamento da luz natural.


