O que ver em Inhotim: 14 obras e galerias no museu indicado pelo NYT
Museu a céu aberto tem dezenas de obras e galerias de arte espalhadas em um gigantesco espaço verde na cidade mineira de Brumadinho

Inhotim, na cidade de Brumadinho, a pouco mais de 60 quilômetros de Belo Horizonte, em Minas Gerais, é um museu a céu aberto com dezenas de obras e galerias espalhadas em um gigantesco espaço verde.
O local foi o único brasileiro a entrar na lista de lugares para conhecer em 2026 do jornal The New York Times. Segundo a publicação, a combinação entre arte contemporânea e natureza exuberante transformou o museu em uma referência mundial para amantes de arte e ecoturismo. Neste ano, o museu completa 20 anos desde que abriu as portas ao público e prepara uma agenda especial.
Um dos desafios citados pelo NYT é que o Instituto possui tantos atrativos que fica difícil conhecer tudo em apenas um dia. Tendo isso em vista, o CNN Viagem & Gastronomia fez uma seleção de 14 galerias e obras imperdíveis no local. Confira:
1. Galeria Praça

Projetada pelo arquiteto Paulo Orsini e inaugurada em 2004, a Galeria Praça é uma das mais visitadas de Inhotim. O nome faz referência ao local central onde está instalada: entre a recepção, a Loja Design Inhotim e o cruzamento entre os três eixos de visitação.
Do lado de fora, um mural com as obras "Abre a porta" e "Rodoviária de Brumadinho", de John Ahearn & Rigoberto Torres, retratam os costumes e as tradições das comunidades dos arredores do museu. Dentro da galeria há a instalação "Forty Part Motet" (2001), Janet Cardiff, que reúne conjuntos de caixas de som posicionadas em um semicírculo. Elas reproduzem a voz de um integrante do coral da catedral de Salisbury (Reino Unido), que resulta em diferentes combinações e harmonias.
2. Galeria Yayoi Kusama
Uma das mais renomadas artistas contemporâneas, Yayoi Kusama tem duas de suas obras expostas na galeria permanente que leva seu nome: “I’m Here, But Nothing” (2000) e “Aftermath of Obliteration of Eternity” (2009).
A primeira insere visitantes em um ambiente doméstico iluminado por luz negra, em que sofá, televisão, mesa, cadeiras, porta-retratos, tapetes e objetos de decoração, assim como as paredes, contêm adesivos em tinta fluorescente. Os pontos coloridos cintilam com a luz ultravioleta e transformam o espaço.
Já “Aftermath of Obliteration of Eternity” (2009), concebida por Kusama aos 80 anos, apresenta um ambiente imersivo em que o espectador é conduzido a um universo diferente do mundo exterior com ajuda de lanternas penduradas. A galeria, inaugurada em 2023, ocupa uma área de 1,4 mil metros quadrados e fica próxima à Galeria Cosmococa e ao Jardim Veredas, no Eixo Laranja.
3. "Narcissus Garden", de Yayoi Kusama

Outra obra de Kusama no local é "Narcissus Garden", que reúne 750 esferas de aço inoxidável sobre o espelho d'água do Centro Educativo Burle Marx, na entrada do parque.
Além de refletir o espectador, a obra espelha a paisagem do céu, água e vegetação. O trabalho faz referência ao mito de Narciso, que se encanta pela própria imagem refletida, sendo uma versão repaginada da obra apresentada em 1966 na Bienal de Veneza, que ironizava: "Seu narcisismo à venda".
4. "Sonic Pavilion", de Doug Aitken

"Sonic Pavillion" é uma obra desenvolvida especialmente para a galeria de Doug Aitken em Inhotim. Foi concebida a partir de uma ideia pré-existente e resultado de um processo de cinco anos, entre pesquisa, projeto e construção.
A obra de Aitken caracteriza-se por um furo de 200 metros de profundidade no solo, onde foi instalada uma série de microfones para captar o som da terra. O som é transmitido em tempo real por meio de um sistema de equalização e amplificação no interior de um pavilhão de vidro, que é vazio e circular.
5. "De lama lâmina", de Matthew Barney

"De lama lâmina", de Matthew Barney, fica na galeria dedicada ao artista, no meio da mata, que possui um formato de domo geodésico. Lá dentro, a obra revela um trator que sustenta uma árvore, jogando luz à preocupação ambiental de Barney.
A obra é, na verdade, uma instalação criada a partir de uma performance realizada no Carnaval de Salvador de 2004 realizada com o músico Arto Lindsay.
6. Galeria Claudia Andujar Maxita Yano

A galeria dedicada à artista Claudia Andujar reúne mais de 400 fotografias que contam a história de seu longo envolvimento com a Amazônia brasileira e o povo indígena Yanomami, que vive no norte da floresta amazônica.
O nome Maxita Yano (casa de terra) foi dado pelos Yanomami na época da abertura da galeria. Divididos em blocos, três temas organizam a exposição das imagens: "A Terra”; "O Homem” e “O Conflito”.
7. "Beam drop", de Chris Burden

"Beam Drop" é a recriação de uma obra realizada originalmente em 1984, no Art Park, em Nova York, e destruída três anos depois. A obra foi refeita pela primeira vez em Inhotim em 2008. Em uma ação que pode ser descrita como performática, um guindaste de 45 metros de altura lançou, durante 12 horas, as 71 vigas que compõem a obra em uma poça de cimento fresco. Hoje, as vigas estão fixas e à mostra do jeito que foram lançadas ali.
8. "Piscina", de Jorge Macchi

Jorge Macchi produz aquarelas que retratam objetos banais reimaginados em situações surrealistas. Em Inhotim, ele criou "Piscina", que é a realização escultórica de um desenho que o artista fez, lembrando uma agenda telefônica com índice alfabético. O interessante é que a obra é também uma piscina em funcionamento. Portanto, não se esqueça da toalha.
9. Pavilhão Psicoativo Tunga e "True Rouge"

Em dois espaços do museu, Tunga retrata seu imaginário exuberante, com obras entre as mais impactantes da propriedade. Na Galeria Psicoativa, o artista pernambucano usa cobre, aço e ímã, limalha de ferro, vidro soprado, luz, seda, papel e mais para dar vida às obras. Já no espaço de "True Rouge", o vermelho é quem comanda a instalação, que reúne recipientes suspensos que lembram o universo de um laboratório. Dentro das peças há um líquido vermelho que, a depender da posição, pode cair sobre os outros vidros.
10. Galeria Adriana Varejão

Inaugurada em 2008, a galeria é uma grande caixa de concreto suspensa sobre um espelho d'água, que reflete e amplia a natureza ao redor. O espaço reúne obras da carioca Adriana Varejão. Logo na entrada, "Panacea phantastica", um conjunto de azulejos que retratam 50 tipos de plantas alucinógenas de diversas partes do mundo, recebe os visitantes.
11. Galeria Cosmococa, de Hélio Oiticica e Neville D'Almeida

A Galeria Cosmococa tem o projeto assinado pelos Arquitetos Associados. Nela, residem cinco ambientes criados por Hélio Oiticica com o cineasta Neville D'Almeida. Localizado em um terreno irregular, o edifício oferece um duplo ponto de vista: de baixo, é mais um artefato de pedra; de cima, a cobertura verde borra os limites entre o prédio e a paisagem. Dentro, o visitante encontra obras que usam projetores, redes e equipamentos de áudio.
12. Obra sem título, de Robert Irwin

A escultura de Robert Irwin é composta por paredes inclinadas, feitas a partir de moldes pré-fabricados de concreto, que formam uma estrutura octogonal. No topo de cada parede, há vidros triangulares amarelos e texturizados.
A incidência de luz solar, que varia ao longo do dia, cria jogos de luz e sombra no chão e nas paredes. Assim, a obra chama a atenção não apenas para a estrutura, mas também para os fenômenos da natureza.
13. "Invenção da Cor, Penetrável Magic Square #5, De Luxe", de Hélio Oiticica

"Invenção da Cor, Penetrável Magic Square #5, De Luxe" foi construída após a morte de Hélio Oiticica a partir de instruções deixadas pelo próprio artista. O uso do termo "square" no título, que significa tanto "praça" quanto "quadrado", mostra o interesse de Hélio pelo espaço público como lugar de encontro e também reflete a herança dos usos geométricos presentes na formação do artista.
14. Galeria Cildo Meireles

Se ainda tiver tempo, não deixe de conferir a Galeria Cildo Meireles, com três obras do artista: "Através" (1983-89), "Desvio para o vermelho: Impregnação; Entorno; Desvio (1967-1984)" e "Glove Trotter" (1991). Cada um dos trabalhos ocupa uma sala e foram propostos como um conjunto. A escala dos trabalhos chamam a atenção e refletem o foco do artista em objetos e ações corriqueiras.
Instituto Inhotim completa 20 anos
O museu teve o maior número de visitantes de sua história em 2025, com passagem de mais de 357 mil pessoas registrada. O recorde de público, segundo o Instituto, ocorre em um momento simbólico para a instituição, que comemora 20 anos neste ano.
Como parte da celebração, Inhotim terá oito inaugurações, além de uma exposição comemorativa que revisitará marcos da história da instituição. Entre os destaques estão uma escultura inédita de Lais Myrrha, o retorno de "The Murder of Crows", de Janet Cardiff & George Bures Miller, a requalificação da Galeria Cildo Meireles e a festa de aniversário do museu, com programação especial e entrada gratuita.
Inhotim foi um dos destinos visitados por Daniela Filomeno no programa CNN Viagem & Gastronomia. Segundo a apresentadora, o local é uma imersão cultural e artística que instiga o conhecimento, atualiza o olhar e desperta as mais variadas sensações. Outras obras e galerias de Inhotim foram percorridas pela apresentadora e pode ajudar seu roteiro. Confira o episódio na íntegra:
Como visitar e onde ficar em Inhotim
Para quem deseja conhecer o Instituto Inhotim, o museu está aberto para visitação de quarta a sexta-feira, das 9h30 às 16h30, e de sábado, domingo e feriados, das 9h30 às 17h30. Durante os meses de janeiro e julho, o local também abre às terças-feiras, das 9h30 às 16h30.
Os ingressos podem ser adquiridos pela internet ou diretamente nas bilheterias. Os preços são de R$ 32,50 (meia) e R$ 65 (inteira) para acesso de um dia. Uma boa notícia é que toda quarta-feira e o último domingo do mês têm entrada gratuita. Fique de olho também nas datas e nos horários das diferentes modalidades de visitas mediadas, que podem te ajudar a mergulhar ainda mais no acervo do local.
Para ajudar os visitantes, o Instituto possui um mapa interativo. Considere também contratar o serviço de carrinho elétrico para transporte interno, que facilita os deslocamentos na propriedade. O serviço sai por R$ 45 por pessoa.
Uma opção de hospedagem em Inhotim é o Clara Arte Resort, parceiro oficial do museu e fica dentro da propriedade. O luxuoso espaço conta com 46 bangalôs, piscinas climatizadas e cobertas, sauna, spa, dois restaurantes, brinquedoteca, academia e espaço para eventos. Além disso, todas as acomodações têm varanda com lareira, banheiras esculpidas em pedra-sabão, cama de casal, sofá, copinha do bebê e adega.
Para quem deseja fazer um bate e volta a partir de Belo Horizonte, duas empresas fazem o trajeto entre a capital e o museu: a Belvitur e Viação Cia Coordenadas. Passagens só de ida saindo da capital mineira podem custar a partir de R$ 60.
Instituto Inhotim: Rua B, 20, Inhotim - Brumadinho, Minas Gerais / Tel.: (31) 3571-9700 / Horário de funcionamento: quarta a sexta, das 9h30 às 16h30; sábado, domingo e feriado, das 9h30 às 17h30. Nos meses de janeiro e julho, o Inhotim funciona às terças, das 9h30 às 16h30 / Mais informações no site.


