Palácio do Dragão: templo budista à beira-mar vira ícone de cidade coreana

Com estátuas brancas e vista para o mar, templo de Haedong Yonggungsa virou ponto turístico obrigatório na segunda maior cidade da Coreia do Sul

Lilit Marcus, da CNN
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Situado em uma saliência rochosa escarpada, o ornamentado templo budista oferece vistas panorâmicas do mar, tornando-se um local popular para assistir ao nascer do sol em meio à beleza de Busan, a segunda maior cidade da Coreia do Sul. Mas Haedong Yonggungsa é muito mais do que um local de adoração.

O templo se tornou a primeira atração que os turistas internacionais querem ver quando chegam à cidade, segundo empresas locais de turismo.

O contraste das altas estátuas budistas brancas contra as formações rochosas e a crista das ondas quebrando é impressionante, e isso não é coincidência: sua localização foi escolhida de acordo com os princípios do Pungsu-jiri, que é semelhante ao Feng Shui. O ponto entre as montanhas e o mar era considerado de sorte.

É imediatamente reconhecível entre os usuários das redes sociais, que fizeram do Haedong Yonggungsa um símbolo tão sinônimo de Busan quanto a Harbour Bridge em Sydney ou a Estátua da Liberdade em Nova York. Ou seja, algo que eles podem identificar mesmo que nunca tenham estado lá.

"A maioria de nossos clientes prefere a luz do dia para tirar fotos no Templo Yonggungsa", diz Jung "JJ" Jiho, fundador da empresa de turismo coreana Lecirt.

Jung afirma que ele e sua equipe estão sempre disponíveis para ajudar a preparar e tirar fotos para seus clientes, e alguns até sugerem os melhores ângulos ou lugares para se posicionar.

Estar à disposição para ajudar a tirar a foto perfeita para o Instagram é uma parte padrão do trabalho dos guias turísticos atualmente. Mas isso também indica como o turismo para a Coreia do Sul mudou na última década, à medida que o país surfa na "Onda Coreana" de popularidade trazida pelo sucesso global do K-Pop, K-Dramas e produtos coreanos de beleza e cuidados com a pele.

"Antes da Covid, o mercado de turismo [na Coreia do Sul] era mais voltado para pacotes turísticos que incluíam os hotéis e os voos", diz Jung. "Vou dizer que há cinco ou sete anos, a tendência do mercado mudou para tours individuais. Os clientes querem ter mais tempo livre."

Busan e o templo budista

Busan recebeu o apelido de "Cidade do Cinema" devido ao sucesso do Festival Internacional de Cinema de Busan, que hospeda todo outono desde 1996.

Seu valor na cultura pop aumentou internacionalmente graças a filmes como "Invasão Zumbi", e seu clima mais quente e praiano, que inclui uma comunidade de surfistas em crescimento. O local também atrai turistas que desejam combinar a viagem à cidade com um tempo ao ar livre.

E embora haja muitos templos budistas em todo o país, o Haedong Yonggungsa é um dos poucos que está localizado à beira-mar.

Segundo Jung, Busan se tornou um destino turístico para quem busca explorar a cidade mais profundamente. Geralmente são visitantes frequentes da Coreia do Sul que querem aprender mais e ficar por mais tempo. São também mais jovens e independentes, optando por reservar seus próprios voos e acomodações.

No entanto, eles dependem de especialistas locais para mostrar os melhores lugares da cidade, especialmente aqueles acessíveis apenas a quem fala coreano.

Em resposta, a Lecirt começou a oferecer passeios de um dia com itinerários mais personalizáveis, quase todos incluindo o Haedong Yonggungsa.

Os passeios de um dia da empresa, chamados de "Hi Busan", também podem incluir paradas na Vila Cultural Gamcheon, um bairro devastado pela Guerra da Coreia que foi pintado com tons pastéis e murais, e almoço no Mercado de Peixes Jagalchi, onde os clientes podem comprar frutos do mar vivos em uma das inúmeras bancas e depois subir para solicitar o preparo conforme sua preferência.

Embora o Haedong Yonggungsa seja bonito — alguns até o consideram o templo mais bonito do país — Jung afirma que os turistas querem mais do que uma foto. Em particular, ele diz que os turistas ocidentais estão interessados na história coreana e querem obter contexto sobre o que estão vendo, especialmente se não estudaram história asiática na escola.

Isso inclui a história de vida do Haedong Yonggungsa.

Mais do que apenas uma foto

O templo foi construído no século XIV e dedicado a Gwanseum-bosal, a Deusa da Compaixão, cuja estátua branca brilhante observa por trás do templo, voltada auspiciosamente para o mar.

A pagoda central (torre com múltiplas beiradas, típica da Ásia) é ladeada por quatro leões de pedra, que representam alegria, raiva, tristeza e felicidade.

Depois de subir os tradicionais 108 degraus até o templo, passando pelas estátuas dos 12 animais que representam o zodíaco chinês, os visitantes avistarão uma alta pagoda branca à esquerda. Placas em coreano e inglês a identificam como a Pagoda da Segurança no Trânsito.

Aqui, as pessoas deixam oferendas e fazem orações para si mesmas e seus entes queridos, pedindo segurança ao volante e nas estradas. Mas muito antes de haver carros na Coreia do Sul, esta era uma área para rezar pela segurança e pelo sucesso dos pescadores que ajudaram a construir o sustento de Busan.

Existem também locais específicos para orar por um filho, para orar por boas notas na escola e para orar por boa saúde e uma vida longa. O dia mais movimentado no templo é 1º de janeiro, quando os fiéis vêm para ter a chance de testemunhar o primeiro nascer do sol do ano novo.

Originalmente, este templo foi chamado de Bomun, mas seu nome atual de Haedong Yonggungsa (Palácio do Dragão) surgiu em 1974, quando o monge chefe teria tido uma visão da deusa da misericórdia montada nas costas de um dragão. Apropriadamente, há uma escultura de um dragão azul brilhante no templo.

Algumas das estruturas foram destruídas por um incêndio no final do século XVI, e depois reconstruídas. Outras seções mais novas foram adicionadas no século XX, conforme Busan crescia e a Coreia do Sul se tornava um país mais rico e poderoso.

Apesar de sua aparente onipresença, e do fato de já ter visto inúmeras fotos, Jung admite que ainda ficou impressionado com o Haedong Yonggunsa na primeira vez que o visitou.

O guia cresceu entre a Coreia do Sul e os Estados Unidos, e o trabalho o manteve principalmente em Seul. Mas, à medida que Lecirt crescia, ele se juntou a um grupo de excursão em Busan como convidado regular para que pudesse vivenciar a cidade por si mesmo.

"Quando você sobe aquelas colinas e chega à área aberta onde pode ver as esculturas e a vista do oceano... é realmente incrível."

inglês
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