St. Gallen, na Suíça, é destino ideal para um bate e volta a partir de Zurique

Com uma história que se arrasta por mais de 1.400 anos, charmosa cidade reúne pontos históricos e culturais importantes para a Suíça

Daniela Filomeno no centro de St. Gallen, cidade facilmente acessada de trem via Zurique
Daniela Filomeno no centro de St. Gallen, cidade facilmente acessada de trem via Zurique CNN Viagem & Gastronomia

Daniela Filomenodo Viagem & Gastronomia St. Gallen, Suíça

A partir de Zurique, uma das principais portas de entrada da Suíça e maior cidade do país, temos à disposição uma malha ferroviária que literalmente nos abre caminho para outros cantos charmosos e deslumbrantes desta parte da Europa.

Entra nesta conta St. Gallen, daquelas localizações que impressionam pela rica história e beleza. A cerca de uma hora de Zurique, a proximidade do destino com a metrópole e a facilidade de locomoção a torna ideal para ser encaixada em um roteiro bate e volta, assim como fiz para a quinta temporada do CNN Viagem & Gastronomia.

Com cerca de 75 mil habitantes, St. Gallen é a capital do cantão de mesmo nome e representa o centro da Suíça Oriental, em que pode ser acessada de trem a partir de Zurique em média a partir de 10 francos suíços (as estações mais conhecidas são a Hauptbahnhof, a central, e a Flughafen, do aeroporto).

Com fronteiras próximas à Alemanha e à Áustria, St. Gallen fica entre as belezas naturais do Lago Constança e as vilas encantadoras da região de Appenzell.

A cidade

Com uma história que se arrasta por mais de 1.400 anos, St. Gallen foi fundada pelo monge irlandês Gallus, que ergueu aqui um eremitério por volta do ano 612. Mais de 135 anos depois, o mosteiro seguia a Regra de São Bento, que exige o estudo de livros e a presença de uma biblioteca – uma semente do polo cultural europeu que a cidade viria a ser na Idade Média.

Todo esse quadro resulta hoje em uma cidade que ainda não é tão conhecida por nós brasileiros, mas que merece lugar de importância na viagem.

Complexo da Abadia de St. Gallen / Wikimedia Commons

Fechado ao trânsito de carros, o centro histórico deve ser contemplado sem pressa e a pé. Andar por aqui é se deparar com construções cativantes que ressoam séculos de história – um exemplo é a catedral barroca do Convento de St. Gallen, Patrimônio Mundial da Unesco e principal ponto de visita da cidade.

Estão incluídos ainda no pacote o pátio da abadia e a biblioteca, que parece ter saído diretamente da ficção. De volta às ruas, notamos sacadas envidraçadas bastante brilhantes, que são características da cidade.

É uma delícia percorrer as charmosas ruas daqui e deixar o tempo fluir, tarefa muito melhor acompanhada de um copo de cerveja local em restaurantes pelo centro.

Na época do Natal, a cidade ganha luzes e adornos que a deixam ainda mais extraordinária – o verão também é um convite para vê-la com uma outra cara.

Ruas do centro de St. Gallen com sacadas envidraçadas / CNN Viagem & Gastronomia

Pela proximidade com a Alemanha e a Áustria, St. Gallen também pode fazer parte de um roteiro maior por cidades pitorescas em torno do Lago Constança.

O distrito da Abadia

O distrito da Abadia de St. Gallen é a principal atração da localidade e a base para entendermos melhor o desenvolvimento da região. Símbolo da cidade, o conjunto que envolve a catedral, a biblioteca e os arquivos foi declarado Patrimônio Mundial da Unesco em 1983 e brilha nossos olhos pelos seus interiores e exteriores bem conservados.

O local é composto por diferentes edifícios agrupados em torno da praça principal da abadia, que inclui a catedral, a biblioteca, a capela e o antigo colégio católico.

A começar, a catedral e o complexo barroco da abadia foram construídos na metade do século 18 no mesmo local em que foi erguido o eremitério de Gallus, o fundador de St. Gallen, no ano de 612.

Apesar de a construção atual ter aproximadamente mais de dois séculos, ela representa 1.200 anos de história e foi um dos principais centros culturais de toda a Europa, com tetos pintados à mão e também recheado de esculturas.

Mas a cereja do bolo fica por conta da Biblioteca da Abadia. Em resumo, ela é uma das mais antigas de todo o mundo e acomoda uma das mais importantes coleções monásticas da Terra, em que seu coração é composto por manuscritos medievais que datam dos séculos 8 a 11 – a maioria produzidos aqui mesmo.

É um dos pontos mais visitados de St. Gallen e uma vez aqui entendemos o motivo: é um lugar para lá de fascinante em todos os aspectos. Dados oficiais dizem que há cerca de 170 mil livros na biblioteca, em que 50 mil estão no salão barroco, onde a múmia egípcia Shepenese, de 2.700 anos, também pode ser encontrada.

Como é de se esperar, o silêncio impera por aqui. A visita sai por 18 francos suíços (cerca de R$ 99) e é obrigatório deixar os sapatos de lado e usar uma pantufa especial nos pés.

Uma vez aqui, a arquitetura nos deixa boquiabertos. O hall tem colunas de madeira que sustentam a galeria marchetada; trabalhos em estuque em tons pastel se fazem presentes; vitrines de vidro contém manuscritos antiquíssimos e um fac-símile do projeto do mosteiro de St. Gallen, um rascunho da Idade Média, também pode ser visto.

Para mim, é daqueles locais que valem pela viagem inteira. Com todo esse espetáculo, mais uma curiosidade: o escritor italiano Umberto Eco fez pesquisas em St. Gallen e foi inspirado pela localidade a escrever o famoso romance “O Nome da Rosa”.

Além da Abadia: o que ver e fazer em St. Gallen

Uma das atividades em St. Gallen é se “perder” por suas ruas, como a Multergasse, que concentra lojas e marcas conhecidas da Europa, assim como a Marktgasse, principal via do centro que conecta os principais pontos e é palco para diversos eventos ao longo do ano.

Praças como a Marktplatz e a Gallusplatz também fazem as vezes de locais importantes para a vida da cidade e ganham magia extra no período do Natal.

Além de toda arte e cultura dispostas pelas ruas, St. Gallen também tem museus com coleções valiosíssimas.

A começar, o Kunstmuseum fica em um edifício de 1877 em estilo neoclássico e abriga obras que datam desde o final da Idade Média até os dias de hoje – suas exposições temporárias de arte contemporânea e moderna também são elogiadas. As entradas inteiras saem por 12 francos suíços, cerca de R$ 66.

Muito conhecida também pelos seus bordados, a cidade é lar do Museu Têxtil, com uma coleção de 30 mil objetos que vão de tecidos de túmulos egípcios, bordados do século XIV, têxteis etnográficos e figurinos. A entrada também sai por 12 francos suíços.

A apenas alguns passos do Kunstmuseum fica o teatro de St. Gallen, considerado o mais antigo teatro profissional da Suíça. A agenda ao longo do ano abrange peças, concertos e shows – fique de olho na programação.

Já o olhar atento dos que passam pelas redondezas do distrito da Abadia se deparam com uma obra que se distingue dos séculos passados: o mesmo arquiteto responsável pelo Museu do Amanhã no Rio, Santiago Calatrava, fez a renovação dos porões do prédio de Neue Pfalz e o transformou em espaço cultural e de eventos. A entrada é feita por uma construção em arco cujas linhas lembram o museu brasileiro.

Para arrematar as andanças, nada melhor do que um refresco. Para um café, cerveja local e iguarias de chocolate, a dica é uma parada estratégica na loja da Praliné Scherrer, bem próxima do complexo da abadia. St. Gallen é assim: cada paradinha vira uma descoberta.