Conheça cidade na Itália onde papa Leão XIV passa as férias de verão

Há séculos, os papas passam os verões no palácio e nos jardins papais de Castel Gandolfo, uma pequena cidade nas colinas acima do Lago Albano

Christopher Lamb, da CNN
Castel Gandolfo
Castel Gandolfo oferece uma fuga do calor do verão de Roma  • Alper Sitki Ersoy/Anadolu via Getty Images
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Após a maratona de compromissos públicos e privados que se seguiu à sua eleição, o Papa Leão XIV decidiu tirar um tempo para descansar e recarregar as energias. Escolher o destino das férias não foi difícil.

Há séculos, os papas passam os verões no palácio e nos jardins papais de Castel Gandolfo, uma pequena cidade aninhada nas colinas acima do Lago Albano. A cidade, a cerca de 25 quilômetros ao sudeste de Roma e a 430 metros acima do nível do mar, é um refúgio do calor sufocante da Cidade Eterna.

É lá que o primeiro papa americano vai passar duas semanas neste mês — ele chegou no domingo (6) — antes de voltar mais alguns dias por ocasião da Festa da Assunção, no dia 15 de agosto, feriado nacional do Ferragosto na Itália.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a residência de verão do papa serviu de abrigo para judeus refugiados. Mais recentemente, foi cenário de “Dois Papas”, filme da Netflix que explora as visões distintas de Bento XVI e de seu sucessor Francisco para o futuro da Igreja.

O local é um verdadeiro oásis de paz, com vistas majestosas para o lago de águas azul-escuras. Quem passa por ali costuma dizer que é uma “antecâmara do paraíso”.

Um pátio cheio de papamóveis

Ao escolher Castel Gandolfo, Leão XIV revive uma tradição de verões fora do Vaticano, interrompida por Francisco. Seu antecessor nunca saiu de Roma nas férias, preferindo ficar na Casa Santa Marta.

Francisco transformou Castel Gandolfo em museu e abriu os jardins ao público. Hoje, quem visita o palácio começa o passeio por um pátio repleto de antigos papamóveis e outros veículos usados pelos pontífices, podendo também espiar o quarto papal, o escritório e a capela. O último a usar o palácio como residência foi Bento XVI, que, após sua renúncia em 2013, fez sua última aparição pública como papa na varanda dali.

Embora esteja retomando a tradição, Leão não volta totalmente ao passado. Ele não vai se hospedar no palácio (adquirido em 1596 e com jardins renascentistas), mas sim na Villa Barberini, que tem um terraço com vista para o Lago Albano, em meio a jardins criados sobre as ruínas da vila do imperador romano Domiciano, do século I.

Segundo o Vaticano, o período em Castel Gandolfo servirá para descanso, mas o papa também poderá aproveitar a piscina instalada por João Paulo II ou, como entusiasta do tênis, dar umas tacadas no clube local.

A cidade, com cerca de 8.900 moradores, depende muito do turismo — por isso, ter o papa por perto é visto como um impulso bem-vindo para a economia. Durante o papado de Francisco, alguns moradores sentiram falta do movimento que a presença papal trazia para os negócios e para o clima social da região.

"Vaticano Dois"

Nos dias 13 e 20 de julho, Leão XIV celebrará missas em uma catedral e em uma igreja próximas, além de conduzir o Ângelus dominical na praça central de Castel Gandolfo — repetindo o ritual no dia 15 de agosto. Nessas ocasiões, fiéis têm a chance de ver o papa de perto, diferente do Ângelus habitual na sacada do Palácio Apostólico do Vaticano.

O prefeito da cidade, Alberto de Angelis, descreveu a estadia de Leão XIV como um “sinal importante de afeto, gratidão e reconhecimento” pela comunidade local. Ele disse à CNN internacional que a presença do papa ajudará o comércio local — a praça principal é cercada de cafés e lojinhas de souvenirs, além de bons restaurantes e uma oficina de mosaicos muito popular, a La Musa Mosaici.

“Esperamos que ele não fique só na propriedade, mas que venha visitar a cidade, conversar com os comerciantes, encontrar os moradores, comer com a gente”, disse o prefeito.

De Angelis ressalta que Castel Gandolfo é um “Vaticano Dois”, uma extensão da cidade eclesiástica que está acostumada a receber pessoas do mundo todo. Embora prefira ver os papas passando férias lá, ele reconhece que a decisão de Francisco de abrir o palácio e os jardins ajudou o turismo e a economia local.

O complexo de Castel Gandolfo inclui 55 hectares de fazendas e jardins e abriga também o histórico Observatório do Vaticano, referência em pesquisa astronômica. Francisco quis que os jardins papais incentivassem o cuidado com o meio ambiente por meio do “Borgo Laudato Si’”, projeto inspirado em sua encíclica sobre a proteção do planeta.

Leão XIV também quer reforçar esse compromisso: no dia 9 de julho, celebrará uma missa privada com a equipe do projeto de ecologia, usando novos textos e orações divulgados pelo Vaticano para incentivar a “cuidar da criação”.

Um papa discreto

O Vaticano não é o único a investir em sustentabilidade na região. A moradora Valentina Biagini, consultora de meio ambiente, ajudou a criar um centro de sustentabilidade às margens do Lago Albano, com um bistrô de culinária plant-based. Para ela, é importante que a visita do papa não gere um fluxo desenfreado de turistas de uma vez só.

“É fundamental que não venham muitas pessoas ao mesmo tempo”, disse à CNN internacional. “O ideal é que, no futuro, possamos ter um turismo sustentável, com menos gente de uma vez.”

Três dias antes de se instalar na Villa Barberini, Leão, conhecido pelo estilo meticuloso, visitou Castel Gandolfo para verificar os preparativos. Fora as celebrações religiosas, espera-se que passe a maior parte do tempo longe dos holofotes.

Além de estimular a economia local e reforçar o cuidado com o meio ambiente, a pausa do papa é também um recado ao mundo acelerado de hoje: até o papa precisa de descanso.

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