ABPA prevê avanço da produção e exportações de proteínas
Com casos de gripe aviária entidade prevê crescimento de mais de 10% nas exportações de carne de frango em 2026

A ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) apresentou nesta terça-feira (28) as projeções para os setores de proteína em 2026 e 2027, além dos dados consolidados do ano de 2025.
As estimativas apontam crescimento da produção, das exportações e do consumo interno de carnes de frango e suína nos próximos dois anos, enquanto o segmento de ovos deve manter a expansão da produção, mas com retração das exportações em 2026.
O presidente da entidade, Ricardo Santin, apresentou o panorama dos mercados internos e externos impactado por problemas sanitários, casos de gripe suína e influenza aviária, que alguns países tem enfrentado. Internamente o endividamento das famílias segue influenciando os hábitos de consumo e a busca por proteínas mais baratas.
Carne de frango
Para a carne de frango, a ABPA estima produção entre 16 milhões e 16,15 milhões de toneladas em 2026, acima das 15,289 milhões de toneladas registradas em 2025, alta de até 5,6%. Em 2027, a produção poderá alcançar até 16,6 milhões de toneladas.
As exportações devem passar de 5,324 milhões de toneladas em 2025 para até 5,875 milhões em 2026, com alta de 10,3%, e atingir até 6,05 milhões de toneladas em 2027.
Os caos de gripe aviária - registrados em países como Chile, Polônia, Alemanha e Austrália - devem impulsionar a demanda internacional mudando a dinâmica do mercado.
Mesmo com a Guerra no Oriente Médio, Santin reforça que 95% das exportações de carne de frango foram mantidas com uso de outros rotas, com o canal de Suez.
A disponibilidade interna de carne de frango deve subir para cerca de 10,275 milhões de toneladas em 2026 e 10,55 milhões em 2027, elevando o consumo per capita de 46,7 quilos para até 49,4 quilos no período.
Carne suína
Segundo o levantamento, a produção de carne suína, deve avançar 5% em 2026, de 5,592 milhões de toneladas em 2025, para 5,870 milhões de toneladas.
O movimento de alta deve se manter em 2027. A associação prevê um crescimento de produção ligeiramente menor, de 3,1%, com produção de 6,050 milhões de toneladas.
As exportações devem avançar de 1,51 milhão para até 1,6 milhão de toneladas em 2026, alta de 5,9% em relação a 2025, e alcançar até 1,7 milhão de toneladas em 2027, crescimento de 6,3%.
Santin aponta como maior ganho o reconhecimento do Brasil "livre de febre aftosa sem vacinação" por parte da China. Esse status deve ampliar as oportunidades de vendas para outros estados que já deram início ao processo de habilitação para exportar aos chineses. A China é um grande produtor de suínos mas demanda mais de 1 milhão de toneladas, principalmente de miúdos já que o consumo é muito maior do que a produção local consegue atender, reforça Santin.
A disponibilidade de carne suína no mercado interno deve passar de 4,08 milhões de toneladas para 4,270 milhões de toneladas em 2026, alta de 4,6%. Chegando a 2027 ainda em expansão, embora um pouco mais modesta, de 1,9%, com 4,35 milhões toneladas.
Já o consumo per capita deve passar de 19,1 quilos por pessoa, registrados em 2025; para 20,4 quilos per capita, em 2027.
Ovos
Na produção de ovos, a ABPA projeta alta de 62,253 bilhões de unidades em 2025 para 64,800 bilhões em 2026, com 4,1% de crescimento.
Em 2027, a estimativa é de uma alta de 2,6%, totalizando 66,500 bilhões de unidades.
As exportações, porém, são estimadas em 30 mil toneladas em 2026, abaixo das 40.894 toneladas alcançadas em 2025, queda de até 26,6%. Para 2027, a previsão é de recuperação para 34,5 mil toneladas, alta de até 15% sobre o ano anterior.
O consumo per capita, por sua vez, deve seguir em trajetória crescente: de 4,5% em 2026 - de 288 unidades em 2025 para 301 ovos consumidos por pessoa. Em 2027 este número deve chegar a 312 ovos per capita, 3,5% acima de 2026.
Acordo Mercosul - União Europeia
Ainda na esfera internacional estão as restrições da União Europeia ao uso de antimicrobianos. Santin diz que o bloco representa 7% das vendas externas de carne de frango e, se o Brasil não conseguir um acordo e o mercado fechar a partir de 03 de setembro, parte desse volume deverá ser redirecionado.
Segundo Santin, o bloco Mercosul conta hoje com uma cota de 180 mil toneladas de carne de frango a ser envia à União Europeia, sem taxas, a ser dividida entre os quatro países membros. O percentual destinado a cada país ainda não está definido. Neste primeiro ano, a cota foi liberada de forma proporcional, dividida em seis parcelas iguais entre os países.
No caso do frango, o Brasil utilizou a totalidade da cota disponível, o que não se repetiu com a Argentina. As negociações entre os quatro países seguem em andamento, e a entidade afirma que buscará também um acordo entre os setores privados das quatro nações, a ser proposto aos governos, com discussões previstas em fórum que deve reunir representantes dos quatro países.
Há ainda uma cota de 25 mil toneladas de carne suína, à qual o Brasil ainda não tem acesso, por não haver acordo sanitário vigente com a União Europeia. Completam o pacote 3 mil toneladas de ovo processado e 3 mil toneladas de albumina que os respectivos governos deverão negociar o formato dessa distribuição.


