Bayer espera acelerar plano de matéria-prima para biocombustível

Interesse renovado em alternativas aos combustíveis fósseis faz empresa adiantar metas

da Reuters
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A Bayer espera acelerar um plano para facilitar a produção norte-americana de ​matérias-primas para biocombustíveis, como a camelina, na ​esteira da guerra no Irã, informou nesta quarta-feira a gigante farmacêutica e de químicos agrícolas.

A guerra provocou um aumento nos preços dos combustíveis fósseis e, por sua vez, despertou um interesse renovado nos biocombustíveis -- normalmente produzidos a partir de safras como cana-de-açúcar e milho —, como forma de melhorar a segurança energética e, potencialmente, ⁠reduzir os custos de energia.

Os ​biocombustíveis, que geralmente são misturados à gasolina ou ao diesel, tornam-se ​mais econômicos quando os preços dos combustíveis fósseis sobem.

As alternativas aos combustíveis ⁠fósseis há muito geram debate sobre se ⁠a queima de culturas para produzir energia elevará os preços ​dos ‌alimentos e as taxas de desmatamento. Isso estimulou a inovação em biocombustíveis ⁠de segunda geração produzidos a partir de materiais orgânicos que não competem com os alimentos.

A camelina, por exemplo, é uma cultura intermediária que pode ser cultivada entre as ‌principais ⁠safras ou em ‌terras subutilizadas.

"Nossa meta é produzir alguns milhões de acres de camelina na América do Norte, e estamos avaliando a expansão para outras regiões", disse Peter Muller, ⁠diretor global de cereais, algodão e canola ⁠da Bayer, à Reuters à margem da conferência do Conselho Internacional de Grãos em Londres.

A empresa ‌sediada na Alemanha anunciou no mês passado que havia formado uma aliança com a gigante do setor de energia BP para comercializar a camelina para a produção de biodiesel, diesel renovável e combustíveis sustentáveis para aviação.

Muller disse ‌que a empresa esperava atingir sua meta de área plantada de camelina até meados da década de 2030, mas agora espera atingir essa meta mais ⁠cedo, devido ao renovado interesse nos combustíveis em meio à guerra no Irã.

"Essas decisões foram tomadas em um contexto diferente... Agora, trata-se de acelerar ainda mais as ​coisas", disse ele.

Muller acrescentou que a Bayer também está prestes a fechar um acordo ​com uma empresa que processará a camelina norte-americana, dando aos agricultores que estão entrando no setor a confiança de que haverá um comprador para sua safra.