Bioceânica: Estrada consolida guinada liberal do Paraguai

Corredor rodoviário permite conexão entre os oceanos Atlântico e Pacífico, posicionando o país como centro estratégico para exportações na América do Sul

Da CNN Brasil
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O Paraguai está investindo na construção da Rota Bioceânica como parte de uma estratégia para se estabelecer como principal centro logístico da América do Sul. O projeto, que visa conectar os oceanos Atlântico e Pacífico, representa uma oportunidade histórica para o país sem litoral expandir suas capacidades de exportação.

Atualmente, o acesso ao Paraguai pela rota é feito apenas por balsa, através do rio Paraguai, conectando Porto Murtinho, no Brasil, a Carmelo Peralta, primeira cidade paraguaia na fronteira. A pequena cidade de menos de 5 mil habitantes dá acesso à rodovia PY15, que atravessa a região do Grande Chaco paraguaio.

Desenvolvimento econômico e social

A rota tem especial importância para a comunidade menonita, grupo de origem europeia que chegou ao Paraguai há 100 anos. Em Loma Plata, no centro do Chaco, a Cooperativa Chortitzer, formada por menonitas, já movimenta mais de 500 milhões de dólares por ano no agronegócio.

Gustavo Sawatzky, presidente do Bancop, destaca que a rota representa uma oportunidade para melhor competitividade nos negócios: "Esta rota faz o mundo cada dia menor para nós. Temos uma grande oportunidade de competir melhor, porque o custo elevado sempre é o frete. Será o verdadeiro Mercosul".

Avanço das obras e perspectivas

As obras da rota no território paraguaio seguem em ritmo acelerado. Em Mariscal Estigarríbia, o trecho atual conta com aproximadamente 200 quilômetros de estrada de terra até a fronteira com a Argentina. A previsão é que o segmento paraguaio da rota seja concluído em 2026.

O projeto tem impulsionado o crescimento econômico do país. Segundo relatório do Banco Mundial, o Paraguai registrou crescimento de 4,2% do PIB em 2024, o melhor resultado entre os países participantes da Rota Bioceânica. Arnold Wiens, ex-ministro de Obras Públicas do Paraguai, ressalta que o projeto está criando um novo eixo de desenvolvimento: "O Paraguai está integrando território. 61% do território paraguaio não estava conectado em boas condições com os vizinhos".

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