Casterra busca crescimento da safra de mamona para biocombustíveis

Brasil busca novas alternativas sustentáveis por meio da agricultura

Por Oliver Griffin, da Reuters
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A empresa israelense Casterra quer trabalhar com agricultores ​brasileiros para cultivar mamona para uso em ​biocombustíveis, visando uma área plantada de 200.000 hectares nos próximos cinco anos, disse o CEO e presidente do conselho Ofer Haviv.

O Brasil é uma potência na produção de biocombustíveis, onde vastas plantações de soja e cana-de-açúcar -- entre outras matérias-primas -- alimentam seus setores de biodiesel e etanol, respectivamente.

No entanto, a ⁠produção brasileira de mamona continua ​pequena em comparação com outras commodities.

De acordo com a Conab, ​a previsão é de que a mamona cubra apenas 76.200 hectares na ⁠safra 2025/26, em comparação com os ⁠48,5 milhões de hectares da soja.

A Casterra, de propriedade ​da ‌empresa israelense de biotecnologia Evogene, realizou no mês passado testes de campo ⁠comerciais bem-sucedidos para o cultivo de mamona no Estado da Bahia, com plantações de 74 hectares.

"Gostaríamos de encontrar grandes fazendeiros que começarão a cultivar mamona em ‌escala ⁠comercial e agora ‌também estamos conversando com participantes locais que comprarão os grãos dos fazendeiros", disse Haviv em uma entrevista esta semana.

Um milhão de hectares

Nos próximos dez anos, ⁠a área usada para o cultivo ⁠da mamona poderá atingir 1 milhão de hectares, disse Haviv.

O objetivo é que os agricultores ‌cultivem a mamona durante a segunda safra do Brasil, conhecida como safrinha, acrescentou ele.

Como é tarde demais para plantar mamona este ano, a Casterra espera gerar interesse pela safrinha em 2027 e planeja passar 2026 estimulando ‌agricultores a cultivar a safra.

A Casterra planeja investir cerca de US$5 milhões a US$10 milhões para formar equipes fortes de marketing e suporte ⁠agronômico, bem como uma unidade de produção de sementes, disse ele.

A empresa também está pesquisando maneiras de melhorar a qualidade da safra e a capacidade ​de colheita, acrescentou Haviv, dizendo que a Casterra se uniu a uma empresa ​italiana para melhorar o desempenho das colheitadeiras e limitar a perda de grãos.

"O segundo braço de atividade está melhorando a semente, melhorando o protocolo de crescimento e melhorando o desempenho do ‌maquinário", disse ele.