China suspende temporariamente três frigoríficos brasileiros
Medida ocorre em meio ao aumento das barreiras fitossanitárias impostas pelo mercado chinês às carnes importadas
As autoridades sanitárias da China suspenderam temporariamente três frigoríficos brasileiros habilitados a exportar carne bovina ao país após a identificação de resíduos considerados fora dos requisitos sanitários chineses. A medida atinge unidades da Prima Foods, da JBS e da Frialto.
A medida foi informada ao governo brasileiro nesta quarta-feira (20).
Segundo a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) o caso já é tratado tecnicamente entre os governos brasileiro e chinês em conjunto com o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária).
Em nota, a entidade afirmou que a suspensão tem caráter “temporário e preventivo” e busca garantir a rastreabilidade da matéria-prima e a adoção das providências técnicas necessárias pelas empresas envolvidas e pelas autoridades competentes.
"As cargas apontadas pelas autoridades chinesas já estão sendo tratadas conforme os protocolos sanitários estabelecidos entre os dois países. A medida tem caráter temporário e preventivo, com o objetivo de permitir a rastreabilidade da matéria-prima e a adoção das providências técnicas necessárias pelas empresas envolvidas e pelas autoridades competentes", diz a nota.
A Abiec reforçou ainda a confiança no sistema sanitário brasileiro e afirmou que os demais estabelecimentos habilitados seguem operando normalmente, mantendo o fluxo das exportações brasileiras de carne bovina para a China. Segundo a entidade, o Brasil possui um dos sistemas de controle sanitário “mais rigorosos e reconhecidos internacionalmente”, com monitoramento contínuo da cadeia produtiva e atuação permanente do SIF (Serviço de Inspeção Federal).
A suspensão ocorre em um momento de aumento das exigências fitossanitárias impostas pelos principais mercados importadores de proteína animal. Como mostrou análise da CNN, o setor avalia que a China tem ampliado o rigor técnico sobre os fornecedores globais, utilizando mecanismos sanitários e veterinários como ferramenta estratégica no comércio internacional.
Nos bastidores do setor, a avaliação é que o movimento vai além de uma questão de oferta e demanda. Mesmo dependente da carne bovina brasileira, a China tem elevado as cobranças sobre rastreabilidade, resíduos químicos e certificações sanitárias.
O endurecimento ocorre em paralelo à adoção de cotas para importação de carne bovina e ao aumento das discussões globais sobre segurança alimentar e barreiras não tarifárias.
O CNN Agro havia antecipado o bloqueio dos três frigoríficos na noite de quarta-feira (20), informação que o mercado aguardava oficialização. Mesmo assim, a prática é vista como comum dentro da relação comercial entre Brasil e China, em especial por causa de um histórico de salvaguardas, cotas e volume de fornecimento que o país latino oferece ao asiático, conforme destacaram analistas ouvidos pela reportagem.