Protecionismo fitossanitário não é questão de oferta e demanda
China habilita frigoríficos que estavam suspensos, mas não deixa de analisar e suspender outros

O setor de proteínas de origem animal vive um jogo de xadrez em 2026 no Brasil. Nesta quarta-feira (20), por exemplo, a China voltou a habilitar três frigoríficos brasileiros para exportação de carne bovina, em um movimento que reforça a importância do mercado asiático para o agro nacional, confirmação feita pelo governo brasileiro direto de Pequim, depois de uma reunião bilateral com autoridades chinesas.
Entretanto, ao fim do dia, fontes do setor indicavam que outros três frigoríficos serão suspensos pela substância acetato de medroxiprogesterona. As informações ainda não foram divulgadas oficialmente, nem confirmadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), mas sinalizam que o rigor fitossanitário é a forma de negociação que veio para ficar.
Se fosse por uma questão de oferta e demanda, o Brasil se manteria, de longe, como maior líder exportador de carnes do mundo. Mas volume apenas não basta. O analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, reforça que 2026 é o ano mais complexo para o setor de proteína de origem animal do Brasil. E que a tendência é ter mercados mais incisivos nas cobranças veterinárias em prol de segurança alimentar.
Ao mesmo tempo, o setor enfrenta dificuldades na Europa. A União Europeia mantém restrições e pressões sobre a carne bovina brasileira, em meio a exigências sanitárias e ambientais mais rígidas. Desde 2019, a UE tem medidas cautelosas e exigentes em relação às importações de carnes de seus clientes, entre eles o Brasil. E em 2023, o termo antimicrobiano já constava nas exigências europeias.
A tendência é continuar cobranças fitossanitárias sobre os maiores fornecedores do mundo. Rastreabilidade e certificações mais apuradas serão o praxe, mas será preciso reforçar comprovações, como entidades do setor brasileiro defendem.
Iglesias destaca que, enquanto fornecedor, o Brasil tem muito a ganhar porque pode se tornar mais fortalecido, pois é capaz de se adaptar ao rigor, além de conseguir comprovações minuciosas, ao passo que abre um leque de mercados, apostando em diplomacia agropecuária.



