Com clima nos EUA, preços do trigo lideram altas na Bolsa de Chicago

Fechamento do estreito de Ormuz e ataques na Ucrânia afetam ureia e oferta global do cereal

Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo
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As cotações futuras do trigo lideraram as altas na sessão desta terça-feira (28) na Bolsa de Chicago. O contrato para entrega em julho registrou valorização de  4,45% e fechou o dia precificado em US$ 6,7575 por bushel.

De acordo com a Royal Rural, o trigo continua subindo em função do mercado estar acompanhando três fatores ao mesmo tempo, sendo eles: a safra fraca nos Estados Unidos, problemas climáticos em outros produtores importantes e risco na oferta global ligado a fertilizantes e energia. 

A Royal Rural destacou que o foco está na seca nas Grandes Planícies americanas. Mesmo com alguma chuva prevista para esta semana nas Planícies do Sul, o mercado entende que esse alívio pode ser insuficiente e tardio para parte das lavouras.  

“As previsões para o início de maio voltaram a ficar mais secas, mantendo a preocupação com o potencial produtivo. O foco maior está no trigo, especialmente na metade oeste do Kansas, leste do Colorado e nos Panhandles de Oklahoma e Texas”, informou.  

Ainda segundo a Royal Rural, o mercado também acompanha o fechamento do Estreito de Ormuz e o corte no fornecimento mundial de ureia, que representa cerca de um terço da produção global, elevam a preocupação com custo e oferta. Ao mesmo tempo, a Ucrânia segue atacando infraestrutura russa de fertilizantes e energia, e a Rússia é a maior produtora e exportadora de trigo do mundo.

Soja

Os vencimentos futuros finalizaram a sessão com leve queda  na Bolsa de Chicago. O contrato futuro para entrega em julho fechou com baixa de 0,23% e cotado em US$ 11,7300 por bushel

A Agrinvest destacou que os preços da soja passaram por uma leve correção técnica, após a forte valorização registrada na sessão anterior. Os contratos futuros operam em baixa moderada, com as maiores perdas concentradas nos vencimentos mais curtos.

No início da tarde, o mercado chegou a reduzir as perdas, sustentado pela alta do trigo e do milho, que ajudaram a limitar o movimento de queda da oleaginosa.

Os dados mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam avanço do plantio da safra norte-americana. Até 26 de abril, 23% das áreas já haviam sido semeadas, acima dos 17% registrados no mesmo período do ano passado e dos 12% da média de cinco anos.

O clima mais seco em regiões produtoras dos EUA tem favorecido o ritmo dos trabalhos de campo, contribuindo para uma evolução mais acelerada do plantio nesta temporada.

Milho

O contrato futuro para entrega julho do milho finalizou a sessão com ganho de 1,33% na Bolsa de Chicago, em que ficou cotado em US$ 4,7550 por bushel.

A Granar destacou que os preços do milho fecharam em alta em Chicago, antes de vários dias sem chuva no Meio-Oeste, o que pode reacender o déficit hídrico na principal região produtora de grãos para forragem nos EUA. Além disso, o ritmo acelerado das exportações , que caminham para atingir um recorde histórico, continua a impactar positivamente o mercado de grãos para ração animal.