Exportações de café recuam 16% com EUA fora da liderança pós-tarifaço

Embarques caíram 15,7% na comparação anual por menor oferta, entraves logísticos e impacto das tarifas americanas; vendas aos EUA encolheram mais de 43% na safra

Isadora Camargo, da CNN Brasil, São Paulo
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As exportações brasileiras de café encerraram a safra 2025/26 com queda de 15,7% em volume na comparação com o ciclo anterior, com embarque de 38,5 milhões de sacas de 60 kg do grão para 125 países.

A queda refletiu menor disponibilidade do produto, problemas logísticos nos portos brasileiros e os efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre o café brasileiro.

O recuo foi mais brando para a receita, de 1%, para US$ 14,6 bilhões, mas alcançou o segundo melhor desempenho na série histórica, atrás somente da temporada 2024/25. Os preços elevados registrados ao longo da temporada ajudaram a evitar perda de lucro.

O preço médio de exportação alcançou US$ 379,48 por saca, alta de 17,4% e recorde histórico. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (15) pelo Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

No acumulado do primeiro semestre de 2026, os embarques totalizaram 17,83 milhões de sacas, queda de 8,3% em relação ao mesmo período de 2025. A receita cambial recuou 13,3%, para US$ 6,53 bilhões.

Efeito do tarifaço nos Estados Unidos

O Cecafé atribui parte importante da retração ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre o café brasileiro, que vigorou entre agosto e novembro de 2025.

Nesse intervalo, os embarques brasileiros ao mercado americano despencaram 54,9%, passando de 2,917 milhões para 1,315 milhão de sacas na comparação com igual período do ano anterior.

Mesmo após a retirada da sobretaxa para a maior parte dos cafés brasileiros — com exceção do café solúvel, que continua sujeito à tributação — o Cecafé avalia que as exportações ainda não retornaram ao ritmo normal.

Segundo a entidade, a instabilidade da política comercial americana e a expectativa pelo resultado da investigação da Seção 301 conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) seguem gerando incertezas para o comércio bilateral.

O impacto aparece também no ranking dos principais compradores do café brasileiro.

Pela primeira vez desde a safra 2009/10, os Estados Unidos perderam a liderança entre os destinos das exportações.

A Alemanha assumiu o primeiro lugar, com a compra de 5,19 milhões de sacas (13,5% do total), enquanto os EUA ficaram na segunda posição, com 4,24 milhões de sacas, volume 43,2% inferior ao registrado na temporada anterior.

No recorte de janeiro a junho de 2026, os Estados Unidos continuaram como principal destino individual do café brasileiro, com 2,18 milhões de sacas, mas as compras acumulam retração de 34,3% frente ao mesmo período de 2025.

Apenas em junho, os embarques ao mercado americano somaram 409,6 mil sacas, queda de 7,7% na comparação anual.

Oferta menor e gargalos logísticos

Além das tarifas, o Cecafé destaca que a redução das exportações era esperada devido à menor disponibilidade de café após os embarques recordes de 2024, que reduziram significativamente os estoques brasileiros.

A safra de 2025 também foi prejudicada por adversidades climáticas, enquanto atrasos nos principais portos do país dificultaram o embarque de centenas de milhares de sacas e elevaram os custos para os exportadores.

Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, outro fator foi a postura mais cautelosa dos produtores, que permaneceram capitalizados após os bons preços dos últimos anos e preferiram negociar seus estoques remanescentes em momentos considerados mais favoráveis de mercado.

O atraso da colheita e as incertezas climáticas também reduziram o ritmo das vendas antecipadas e contribuíram para limitar as exportações em junho.