Exigências da UE ameaçam US$1,85 bilhão em exportações de alimentos
Abia alerta que novas regras para proteínas animais podem atingir vendas a partir de 2026

A ampliação das exigências regulatórias da União Europeia sobre importações de proteínas animais pode afetar exportações brasileiras de alimentos industrializados avaliadas em US$ 1,85 bilhão. O alerta foi feito pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), em nota divulgada nesta terça-feira (12). A associação entende que a previsibilidade regulatória é essencial para a manutenção dos fluxos comerciais entre os blocos.
A Comissão Europeia sinalizou a possibilidade de impor restrições às exportações brasileiras de determinados produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026. A medida faz parte das novas regras europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal e está inserida na estratégia do bloco de combate à resistência antimicrobiana.
A ABIA afirma que as restrições podem atingir segmentos relevantes da pauta exportadora brasileira, especialmente carnes bovinas e de aves, além de mel, ovos, tripas e produtos aquícolas. Em 2025, essas categorias representaram 21,3% das vendas brasileiras de alimentos industrializados para a União Europeia.
Cleber Sabonaro, gerente de inteligência competitiva da ABIA, acredita que a restrição é um contratempo eventual que não deve perdurar por muito tempo. “A União Europeia é um importante parceiro comercial e essa medida é um desafio que encontramos logo na saída do acordo entre os blocos. Confio muito na capacidade do Ministério da Agricultura para solucionar a questão o mais breve possível”, disse à CNN Brasil.
Na avaliação da associação, o Brasil possui sistemas consolidados de controle, inspeção e certificação sanitária conduzidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), reconhecidos internacionalmente. A entidade destacou ainda que o país exporta para mais de 190 mercados, atendendo às diferentes exigências sanitárias e regulatórias.
A ABIA defendeu o fortalecimento do diálogo técnico e institucional entre autoridades brasileiras e europeias para buscar soluções “baseadas em evidências científicas e alinhadas às normas internacionais”. Segundo a entidade, a previsibilidade regulatória é fundamental para preservar a competitividade do setor e evitar impactos negativos para produtores, indústria e consumidores.
A associação também ressaltou que a discussão ganha relevância em meio ao início da implementação provisória do acordo Mercosul-União Europeia. Para a entidade, a harmonização de entendimentos sanitários e técnicos será decisiva para garantir estabilidade e transparência nas relações comerciais entre os blocos.


