Inovação do agro brasileiro tem baixa percepção, diz pesquisa Marca Brasil
Pesquisa Marca Brasil aponta notas de 6,3 no mercado interno e 5,7 no exterior para o setor

O agronegócio brasileiro contribui para a formação da imagem do país, tanto no mercado interno quanto no exterior.
É o que mostra a pesquisa Marca Brasil, realizada pela consultoria OnStrategy e divulgada com exclusividade pela CNN Brasil. O levantamento indica, porém, que os indicadores relacionados à inovação e à diferenciação no setor têm desempenho inferior aos outros aspectos avaliados, com notas de 6,3 no mercado interno e 5,7 no exterior.
A Marca Brasil é a maior pesquisa sobre a reputação do Brasil já produzida. Foram entrevistados pela OnStrategy 192.400 brasileiros e 278.200 estrangeiros de forma online — entre cidadãos, executivos de empresas, jornalistas, influenciadores e autoridades entre outubro de 2025 e março de 2026.
Apesar disso, o país registra avanços na adoção de tecnologias e no desenvolvimento de pesquisas.
Em 50 anos, a área cultivada no Brasil cresceu 140%, enquanto a produção aumentou 580%, resultado associado à incorporação de tecnologias no campo, segundo dados da Embrapa, que é um dos principais exemplos da pesquisa e inovação no campo..
A instituição atua no desenvolvimento de soluções voltadas à sustentabilidade da agricultura e foi responsável, por exemplo, pela adaptação de culturas como a soja às condições do cerrado, incluindo solos ácidos.
De acordo com dados institucionais, cada R$ 1 investido na Embrapa em 2025 gerou retorno estimado de R$ 27 para a sociedade. O cálculo considera 166 soluções tecnológicas e a análise da adoção de outras 209 tecnologias incorporadas ao setor produtivo, com impactos em produtividade, custos e agregação de valor.
A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, afirma, no entanto, que o avanço da inovação depende de investimentos em capacitação e educação tecnológica. Segundo ela, a formação de pesquisadores em instituições internacionais e a adaptação de tecnologias às condições da agricultura tropical são etapas necessárias para ampliar o desenvolvimento no setor.
Extensão rural
Massruhá também aponta a necessidade de ampliar a extensão rural para facilitar o acesso de produtores, especialmente de pequeno e médio porte, às tecnologias já disponíveis. Iniciativas como as do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) são citadas como exemplos em amedamento, embora ainda haja demanda por profissionais dedicados à difusão dessas inovações. “Muitas vezes […] a tecnologia não chega ao pequeno-médio por falta de fortalecimento da extensão rural”, disse.
Para Massruhá, há também uma lacuna na forma como o conhecimento científico é apresentado ao público. “A gente comunica muito para os convertidos”, afirma, ao defender estratégias que ampliem o alcance das informações sobre produção e pesquisa agrícola.
No campo da transparência, a Embrapa ressalta a importância da divulgação de indicadores econômicos, ambientais e sociais, além do avanço da rastreabilidade. Essas medidas acompanham mudanças no comportamento dos consumidores, que demonstram maior interesse pela origem e qualidade dos alimentos.
O reconhecimento internacional de pesquisadores brasileiros também indica o avanço na área. No mês de abril, a cientista Mariângela Hungria foi incluída na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time e recebeu, em 2025, o Prêmio Mundial da Alimentação. Seus estudos envolvem o uso de microrganismos como alternativa a fertilizantes sintéticos, tecnologia adotada em diferentes países.
O Brasil se destaca na pesquisa e produção de insumos biológicos, que permitem reduzir o uso de fertilizantes químicos e defensivos agrícolas. Além disso, há crescimento em áreas como agricultura de precisão e biotecnologia, com maior uso de ferramentas digitais na produção rural.
Para Massruhá, aproximar a população do processo científico é um dos desafios do setor. “As pessoas têm contato muito com o supermercado, mas lá já está o produto pronto”, afirmou. Segundo ela, ampliar o entendimento sobre o rigor das pesquisas pode contribuir para fortalecer a percepção sobre a agricultura brasileira.
Pesquisa Marca Brasil na CNN
As entrevistas internacionais da pesquisa foram feitas com cidadãos do México, Argentina, EUA, Canadá, China, Japão, Índia, Emirados Árabes, África do Sul, Angola, Moçambique, Rússia, Reino Unido, Suíça, Alemanha, França, Itália, Espanha, Polônia, Holanda, Grécia, Bélgica, Portugal, Suécia, Áustria e Dinamarca.
Fundada em 2009 e sediada em Lisboa, a OnStrategy é uma consultora multidisciplinar de brand value management, focada na criação, construção e otimização do valor econômico e financeiro de negócios e marcas.
Ao longo desta semana, o portal da CNN Brasil e seus perfis nas redes sociais irão divulgar uma série de conteúdos com detalhes da pesquisa. Na TV, o CNN Prime Time, a partir das 20 horas, exibe uma série de quatro episódios temáticos que trazem os dados inéditos e os desdobramentos do estudo global até quinta-feira (14).
A cobertura especial da CNN Brasil se encerra no domingo, 17 de maio, com um programa ao vivo, de uma hora, apresentado por Iuri Pitta e Elisa Veeck. Dividida em blocos temáticos, a atração debaterá com especialistas os impactos desses achados para a economia, política, agronegócio e segurança pública.


