Sicredi libera R$ 52,8 bilhões em crédito rural com alta de 16,5%

Nos primeiros nove meses da safra 2025/26, cooperativa de crédito impulsiona setor com foco em investimentos que cresceram 67%

Gabriella Weiss, da CNN Brasil, Ribeirão Preto (SP)
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Nos primeiros nove meses do ano safra 2025/26, o Sicredi liberou R$ 52,8 bilhões em crédito rural no Brasil, um crescimento de 16,5% em relação à safra anterior, segundo coletiva realizada na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP).

O aumento se concentrou principalmente em investimentos, que passaram de R$ 9,3 bilhões um ano antes para R$ 15,4 bilhões, uma alta de 67%. Já o crédito para custeio avançou de R$ 19 bilhões para R$ 19,5 bilhões no mesmo período.

As operações de comercialização cresceram 42%, chegando a R$ 1,3 bilhão em 2025, enquanto a industrialização teve alta de 27% na comparação interanual, para R$ 124,5 milhões.

O crédito em moeda estrangeira registrou o maior salto, de 70%, passando de R$ 2,5 bilhões para R$ 4,2 bilhões.

Na safra 2025/26, a distribuição do crédito mostra R$ 15,3 bilhões para produtores diversos, o equivalente a 29% do total, R$ 11,4 bilhões para Pronamp (Programa Nacional de Apoio a Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), com 22%, e R$ 9,5 bilhões para o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), com 18%.

A CPR (Cédula de Produto Rural) teve redução de 23%, para R$ 12,3 bilhões. Segundo Victor Hugo de Moraes, superintendente de negócios da Confederação Sicredi, "é uma concorrência em relação à taxa. CPR traz benefícios, mas é uma taxa livre de mercado, e muitos produtores que têm a safra atrelada ao dólar têm preferido a moeda estrangeira”, disse na coletiva.

Segundo o executivo, o crescimento de instrumentos financeiros complementares se deve à uma busca de alternativas dos produtores para gestão de custos e proteção contra oscilações de preço.

Os consórcios agropecuários, com carteira superior a R$ 61,8 bilhões, tiveram vendas que somaram R$ 3 bilhões, uma alta de 23%.

A inadimplência na carteira agropecuária do Sicredi que, há dois anos alcançava 0,9%, atingiu 3% em março de 2026, concentrando-se principalmente em grandes produtores por trocas de maquinários e equipamentos, segundo a cooperativa de crédito.

Moraes destacou que, em função da Medida Provisória 1314, finalizada no primeiro trimestre do ano, o Sicredi renegociou quase R$ 6 bilhões em dívidas, incluindo R$ 2 bilhões em linhas controladas pelo BNDES.

No seguro rural, foram registradas 113 mil apólices em 2025, com R$ 58 bilhões destinados a benfeitorias e máquinas, e R$ 2,4 bilhões em seguro agrícola, cobrindo 479 mil hectares e resultando em R$ 173 milhões em indenizações, um aumento de 30% no valor financeiro em relação ao ano anterior.

A instituição não divulgou orientação para o próximo Plano Safra, mas prevê que, apesar de uma tendência de redução das taxas de juros, o cenário continuará marcado por juros elevados, o que deve levar à uma tendência de busca por produtos de proteção, derivativos e seguros para os produtores.