Soja tem baixa em Chicago com pressão sobre óleo e suporte ao farelo
Mercado acompanha aumento dos estoques de óleo vegetal e demanda firme por farelo, enquanto maior esmagamento amplia a oferta dos dois produtos

O preço da soja encerrou a sessão desta quarta-feira (07) em baixa na Bolsa de Chicago, em um movimento marcado por comportamentos distintos entre os derivados da oleaginosa. O contrato para novembro recuou 0,42% e terminou o dia cotado a US$ 12,97 por bushel.
Segundo a Royal Rural, o óleo de soja enfrenta pressão do mercado global de óleos vegetais, principalmente diante do aumento dos estoques de óleo de palma na Malásia. O país terminou agosto com 2,82 milhões de toneladas em estoques, enquanto a expectativa para setembro está próxima de 3,45 milhões de toneladas. No período, a produção pode ter avançado cerca de 16%, enquanto as exportações recuaram aproximadamente 12%.
O cenário reduz a competitividade do óleo de soja, já que os dois produtos disputam os mesmos mercados consumidores. Com maior disponibilidade de óleo de palma e preços mais baixos, o óleo de soja também precisa se ajustar para permanecer competitivo.
A pressão sobre o óleo ocorre ao mesmo tempo em que Argentina, Brasil e Estados Unidos mantêm um ritmo elevado de esmagamento de soja, aumentando a produção tanto de óleo quanto de farelo. A Argentina vem registrando volumes recordes de exportação de óleo, enquanto Brasil e Estados Unidos também ampliaram o processamento da oleaginosa.
No mercado de farelo, a demanda por proteína para alimentação animal permanece firme, enquanto a Argentina mantém exportações elevadas e a Europa ampliou as compras, incluindo volumes provenientes de argentinos e norte-americanos.
A consultoria ainda destacou que como óleo e farelo são produzidos conjuntamente no esmagamento da soja, a pressão sobre o óleo pode levar operadores a vender o derivado e, simultaneamente, comprar farelo, deslocando parte do valor do processamento para o segundo produto.
Apesar da sustentação atual, a Royal Rural destaca que a valorização do farelo não representa necessariamente uma falta estrutural de oferta. Com Brasil, Argentina e Estados Unidos ampliando o esmagamento, a produção de farelo também tende a crescer, o que pode limitar a alta dos preços mais adiante.
Milho
A pressão da oferta e a expectativa de estoques maiores nos Estados Unidos levaram o milho a fechar em baixa nesta sessão na Bolsa de Chicago. O contrato para dezembro recuou 1,18% e terminou o pregão cotado a US$ 5,02 por bushel.
Segundo a Granar, o avanço da colheita norte-americana e a previsão de condições climáticas favoráveis para os próximos dias no Meio-Oeste contribuíram para a queda, após a forte valorização registrada na sessão anterior.
O fortalecimento do dólar frente ao euro também pesou sobre os preços, especialmente em um momento em que os Estados Unidos buscam ampliar as exportações de milho para a União Europeia.
A expectativa de que o USDA eleve, na sexta-feira, a previsão para os estoques finais da commodity no país também aumentou a pressão sobre o mercado. A projeção considera os dados mais recentes do relatório trimestral de estoques, referente a 1º de setembro.
Em sentido contrário, as tensões no Mar Negro limitaram parte da queda ao afetarem as exportações ucranianas. A Ucrânia é um dos principais fornecedores de milho para a União Europeia e ocupa a quarta posição entre os maiores fornecedores mundiais de ração animal.
Trigo
O contrato futuro do trigo para entrega em dezembro subiu 2,52% na Bolsa de Chicago e encerrou a sessão cotado a US$ 6,86 por bushel.
Segundo a Granar, a valorização do dólar frente ao euro segue pressionando a competitividade do trigo norte-americano no mercado internacional. A taxa de câmbio está em torno de US$ 1,1198 por euro, o menor nível em quase um ano, o que favorece a posição dos grãos da União Europeia.
Ao mesmo tempo, as tensões no Mar Negro, com novos ataques entre Rússia e Ucrânia que atingiram navios de transporte de grãos e petróleo, continuam dando sustentação aos preços. O cenário mantém preocupações sobre o fluxo de produtos agrícolas na região, ainda no quarto mês do ciclo 2026/27.


