Suzano tem lucro de R$ 1,8 bi no 2º tri de 2026, queda de 64%

Vendas de celulose caíram 11% e as de papel recuaram 1% na comparação com o segundo trimestre de 2025

Kaique Cangirana, da CNN Brasil, São Paulo
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A Suzano divulgou nesta quarta-feira (12) seu balanço do segundo trimestre de 2026, com um lucro líquido de R$ 1,8 bilhão, resultado que representa queda de 64% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a companhia lucrou R$ 5,01 bilhões.

A receita líquida da Suzano totalizou R$ 11,5 bilhões no período, uma retração de de 13% frente ao registrado um ano antes. Em 2025, a receita da empresa no trimestre foi de R$ 13,2 bilhões.

Dos principais segmentos de atuação da empresa, as vendas de celulose somaram 2.897 mil toneladas, um recuo de 11% frente ao mesmo trimestre do ano anterior. As vendas de papel totalizaram 406 mil toneladas, queda de 1% na mesma base de comparação.

O Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado somou R$ 4,7 bilhões, recuo de 23% na comparação com o mesmo recorte do ano anterior, quando o indicador registrou R$ 6,08 bilhões.

A dívida líquida, medida em dólar, ficou em US$ 12,8 bilhões ao fim do trimestre, redução de 2% ante os três meses anteriores. A alavancagem financeira em dólar terminou o período em 3,4 vezes.

Segundo a administração da companhia, o desempenho ocorreu em um cenário de aumento das tensões geopolíticas e pressão sobre os custos da cadeia produtiva. No negócio de celulose, o resultado melhorou em relação ao primeiro trimestre, sustentado pelo aumento dos preços e do volume de vendas.

Esses efeitos, no entanto, foram parcialmente compensados pela alta do custo dos produtos vendidos em caixa e pelo enfraquecimento do dólar frente ao real.

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, a apreciação cambial, combinada à redução do volume vendido e ao aumento dos custos, pressionou o desempenho da celulose, apesar da elevação do preço realizado do produto.

O custo caixa de produção, excluindo paradas, aumentou no trimestre em relação tanto ao primeiro trimestre quanto ao segundo trimestre de 2025. A companhia atribuiu parte do movimento aos efeitos indiretos do conflito no Oriente Médio.

Mesmo com a pressão de custos, o Ebitda ajustado do negócio de celulose cresceu em relação ao primeiro trimestre, mas recuou na comparação anual.

Mercado global de celulose

A Suzano afirmou que o mercado global de celulose de fibra curta apresentou resiliência no segundo trimestre, apesar da maior volatilidade geopolítica e dos impactos sobre custos de produção e logística.

Os aumentos de preços anunciados anteriormente ganharam força nos principais mercados. Na China, entretanto, a entrada de novas capacidades integradas e o excesso de oferta de fibra longa continuaram pressionando o mercado.

Na Europa, o consumo de celulose de fibra curta cresceu 5,2% no trimestre, enquanto o de fibra longa caiu 4,8% em relação ao segundo trimestre de 2025. Os estoques de celulose nos portos europeus terminaram o período em 1,3 milhão de toneladas, ainda abaixo do nível considerado normal pela companhia.

Na China, os estoques nos portos ficaram em aproximadamente 2,7 milhões de toneladas, em linha com o trimestre anterior. Já a produção de papel no país cresceu 13,8% no segundo trimestre, segundo a SCI.

Os preços médios da celulose de fibra curta, medidos pelo PIX/FOEX, subiram 3,4% na China e 13,8% na Europa em relação ao primeiro trimestre.

Negócio de papel

No segmento de papel, que inclui imprimir e escrever, papel cartão e tissue, o Ebitda ajustado ficou estável na comparação com o primeiro trimestre. A alta dos preços e dos volumes foi compensada pelo aumento do CPV em base caixa.

No Brasil, as vendas de papel da Suzano totalizaram 247 mil toneladas no segundo trimestre, alta de 10% ante os três primeiros meses do ano. O avanço foi puxado principalmente pelos segmentos de papel cartão, de imprimir e escrever e o segmento tissue.

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, as vendas no mercado brasileiro cresceram 5%, com aumento nos volumes de papéis revestidos, papelcartão e tissue, parcialmente compensado pela redução das vendas de papéis não revestidos.

As vendas nos mercados internacionais somaram 159 mil toneladas, equivalentes a 39% do volume total comercializado pela companhia no trimestre. O resultado representa alta de 4% ante o primeiro trimestre, impulsionada principalmente pelas vendas de papel para imprimir e escrever e do papel cartão.

Em relação ao segundo trimestre de 2025, entretanto, houve queda de 10% nas vendas internacionais. Segundo a Suzano, o recuo foi provocado principalmente pela redução dos volumes de papel imprimir e escrever, em meio aos efeitos das tarifas implementadas pelo governo dos Estados Unidos e à estratégia de alocação de volumes.

Também houve queda nas vendas de papel cartão da Suzano Packaging US, devido a problemas operacionais no retorno de uma parada de manutenção realizada em maio.