Yara tem lucro líquido de US$ 327 milhões no primeiro trimestre

Companhia de fertilizantes espera que, com os atuais conflitos geopolíticos, os custos do gás natural para a produção de fertilizantes no segundo e terceiro trimestres sejam US$ 150 milhões e US$ 120 milhões superior ao registrado em 2025

Gabriella Weiss, da CNN Brasil, São Paulo
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A norueguesa Yara, de fertilizantes, registrou lucro líquido de US$ 327 milhões no primeiro trimestre de 2026, acima dos US$ 295 milhões apurados no mesmo período do ano anterior.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) totalizou US$ 908 milhões, em comparação com US$ 566 milhões um ano antes. Segundo a companhia, o resultado foi impulsionado pelo aumento dos volumes de entregas, ampliação das margens em todos os segmentos e desempenho de iniciativas de melhoria e controle de custos.

A receita somou US$ 4,26 bilhões no trimestre, acima dos US$ 3,65 bilhões no mesmo período de 2025.

No lado operacional, a produção de amônia recuou para 1,6 milhão de toneladas, frente a 1,7 milhão de toneladas um ano antes. A produção de fertilizantes também apresentou leve queda, passando de 4,92 milhões de toneladas para 4,89 milhões de toneladas.

Em contrapartida, as entregas de fertilizantes cresceram de 5,77 milhões de toneladas para 5,96 milhões de toneladas. As entregas totais aumentaram 2% na comparação anual, com destaque para maiores volumes de ureia, NPKs e CN.

Na divisão das Américas, o Ebitda, excluindo itens especiais, foi de US$ 229 milhões, alta de 48% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. O desempenho refletiu, principalmente, o aumento das entregas, melhores margens de upgrading de nitrogênio e continuidade do desempenho comercial, segundo a companhia. As entregas totais na região cresceram 11%, com avanço nos volumes na América do Norte, América Latina e Brasil.

Ao final do trimestre, a relação dívida líquida/Ebitda da empresa era de 1,00, enquanto a relação dívida líquida/patrimônio ficou em 0,33.

Geopolítica

O cenário global de fertilizantes segue influenciado por fatores geopolíticos. A guerra no Oriente Médio tem impactado os mercados de energia e insumos agrícolas, com o bloqueio do Estreito de Ormuz afetando cerca de um terço do comércio global de ureia, além de matérias-primas como gás natural, amônia, fosfatos e enxofre.

A Yara pontua em seu relatório que esse contexto tem provocado restrições de oferta e elevação dos preços internacionais de fertilizantes, com possíveis diferenças entre mercados em período de aplicação e fora de temporada. Além disso, interrupções na produção em diferentes países, incluindo impactos em unidades na Rússia, têm contribuído para um ambiente de oferta mais restrita no médio prazo.

A dinâmica global também é influenceda por grandes produtores e consumidores. Na Índia, a produção de ureia foi parcialmente reduzida em março devido à escassez de gás, enquanto a China manteve restrições às exportações durante sua temporada doméstica, com possibilidade de flexibilização no segundo semestre de 2026.

De acordo com a CRU Group, a expansão de capacidade produtiva fora da China acompanha o crescimento histórico da demanda, indicando a continuidade de um equilíbrio ajustado entre oferta e demanda nos próximos anos.

A empresa estima que, com base nos mercados futuros de gás natural e mantendo volumes estáveis de compra, o custo do insumo no segundo e terceiro trimestres de 2026 deverá ser, respectivamente, US$ 150 milhões e US$ 120 milhões superior ao registrado no ano anterior, podendo variar conforme as condições de mercado.