Brasil passa dos 25 mil pontos de recarga rápida para carros elétricos

Rede cresceu 21% em apenas três meses; expansão da recarga rápida chega a 33% no período e região Norte lidera o avanço

Alexandre Zerbinato, colaboração para a CNN Brasil
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O Brasil ultrapassou a marca de 25 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga para veículos elétricos. O levantamento, realizado pela ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) em parceria com a plataforma Tupi Mobilidade Elétrica, aponta 25.455 pontos instalados até maio de 2026 — um crescimento de 20,9% em relação ao mapeamento anterior, de fevereiro, quando o número era de 21.060.

O ritmo de expansão chama atenção: em três meses, a rede avançou quase tanto quanto costumava crescer em um ano inteiro.

Dos 25.455 pontos existentes, 8.606 (34%) são de recarga rápida em corrente contínua (DC) e 16.836 (66%) são de recarga lenta em corrente alternada (AC). A recarga rápida foi a que mais cresceu no período — 32,8% em três meses, saltando de 6.479 para os 8.606 pontos.

Mas o que chama mais a atenção é o desempenho da recarga lenta. Nos doze meses anteriores ao último levantamento, os carregadores AC haviam crescido apenas 17,6%. No trimestre mais recente, avançaram 15,5%, quase replicando em três meses o que antes levava um ano.

A virada coincide com a sanção da Lei 18.403/2026, em São Paulo, que garante o direito à instalação de carregadores em vagas privativas de condomínios — eliminando uma das principais barreiras históricas para a recarga doméstica e semipública.

"Os carregadores lentos (AC), que vinham em baixa, reagiram, e a regulamentação de São Paulo, garantindo recarga em condomínios, tem papel direto nisso", avalia Davi Bertoncello, diretor de Comunicação da ABVE e diretor executivo da Tupi.

Norte lidera a expansão e interior entra no mapa

A expansão avançou em todas as regiões do país, mas com ritmos distintos. O destaque foi o Norte, que registrou crescimento de 31,1% no total de pontos e liderou a expansão dos carregadores rápidos, com alta de 51% no DC — o maior índice entre todas as regiões.

Centro-Oeste (+23,7%) e Sul (+23,4%) vieram logo atrás, ambos com forte avanço de carregadores rápidos (36,3% e 35,8%, respectivamente). O Sudeste, que concentra a maior base instalada do país, cresceu 18,1% — ritmo mais moderado, mas ainda com o maior volume absoluto.

O crescimento da recarga rápida acima de 33% foi registrado em quatro das cinco regiões: Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul — sinal de uma mudança no perfil da infraestrutura nacional, com regiões mais afastadas dos grandes centros nascendo já orientadas para a recarga rápida, impulsionadas por corredores logísticos e rodoviários.

Também cresceu o número de municípios atendidos: de 1.649 em fevereiro para 1.832 em maio, alta de 11,1%. O destaque foi o Centro-Oeste, com crescimento de 21,7% nas cidades cobertas, seguido pelo Nordeste (10,2%). A mobilidade elétrica deixa de se concentrar nas capitais e começa a alcançar cidades menos populadas, polos turísticos e rotas de transporte.

"Saímos da fase de teste"

Para Bertoncello, os números indicam uma mudança de patamar na infraestrutura elétrica do país. Ele aponta ainda uma transformação no perfil dos carregadores rápidos instalados: "Dois movimentos definem este trimestre. Os carregadores lentos (AC), que vinham em baixa, reagiram, e a regulamentação de São Paulo, garantindo recarga em condomínios, tem papel direto nisso. E o crescimento dos carregadores rápidos (DC) começa a ser puxado por uma nova geração de carregadores ultrarrápidos, com potências que hoje chegam a 480 kW e muitas vezes com quatro a dez posições de recarga."

A avaliação do executivo é de que o Brasil entrou em uma nova fase: "O Brasil saiu da fase de teste e entrou na fase de escala. Estamos construindo a infraestrutura energética que vai sustentar a eletrificação do país."