BYD aposta em estratégia surpreendente para desbancar a Toyota no mundo
Mesmo fora do mercado norte-americano, a BYD acredita que pode assumir a liderança mundial da indústria automobilística nos próximos

A BYD elevou o tom de sua estratégia global ao afirmar que pode se tornar a maior fabricante de automóveis do mundo com um detalhe surpreendente: sem disputar espaço no mercado dos Estados Unidos. E parte desse plano passa pelo Brasil, bem como novos mercados em que começa a atuar na Europa.
A declaração foi feita por Stella Li, vice-presidente da empresa e responsável pelas operações internacionais da montadora chinesa, em entrevista ao Financial Times. Segundo a executiva, a meta de superar a Toyota em vendas dentro de cinco anos poderá ser alcançada por meio do crescimento orgânico da empresa, sem recorrer à aquisição de outras fabricantes e mesmo sem comercializar veículos de passeio nos Estados Unidos.
A afirmação reforça a estratégia da BYD. Em vez de concentrar esforços para entrar no segundo maior mercado automotivo do mundo, a empresa pretende ampliar sua presença em regiões onde já vem registrando crescimento acelerado, como América Latina e Sudeste Asiático. Além disso, a BYD investe pesado na Europa, tanto que participou do Festival de Goodwood e reforça sua aposta na Denza, submarca de luxo. "Espere mais um ano e você dirá que conseguimos fazer isso com sucesso", afirma Stella Li.

Apesar da ambição, a distância entre as duas fabricantes ainda é significativa. Em 2025, a Toyota vendeu aproximadamente 10,5 milhões de veículos em todo o mundo, preservando a liderança global que ocupa desde 2020. No mesmo período, a BYD comercializou cerca de 4,5 milhões de automóveis, impulsionada principalmente pela forte demanda por veículos elétricos e híbridos plug-in.
Outro desafio é o próprio mercado interno. A forte concorrência entre fabricantes chinesas e a redução de incentivos governamentais para veículos eletrificados contribuíram para desacelerar as vendas da BYD na China durante o primeiro semestre de 2026. Enquanto isso, marcas como Geely e Leapmotor apresentam grande crescimento local.
O segredo para atingir a meta pela empresa chinesa passa pela manutenção de um ritmo elevado de expansão internacional nos próximos anos. Sem acesso ao mercado norte-americano, a Europa passou a ocupar posição estratégica nos planos da BYD. A empresa considera o continente um dos mercados mais relevantes para sua expansão, tanto pelo potencial de crescimento quanto pelas margens de lucro superiores às obtidas na China.
Em busca de visibilidade global, a BYD pode até mesmo entrar na Fórmula 1. Stella Li acompanhou o Grande Prêmio de Mônaco, enquanto a empresa estuda uma forma de entrar na disputa, seja como patrocinadora ou mesmo equipe própria no futuro.



