Carregadores rápidos chegam a 38% da rede de carros elétricos, diz ABVE

Infraestrutura nacional encosta na marca de 30 mil eletropostos ; seis em cada dez novos pontos instalados no país no último trimestre são de alta potência

Alexandre Zerbinato, colaboração para a CNN Brasil
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A infraestrutura de recarga para veículos elétricos no Brasil alcançou a marca de 29.896 pontos públicos e semipúblicos, acumulando um crescimento de pouco mais de 77% em doze meses. No entanto, mais do que a expansão do volume total, o principal vetor de transformação do setor está na velocidade do abastecimento: os pontos de recarga rápida em DC (corrente contínua) triplicaram no período de um ano e já correspondem a 38,2% de toda a malha instalada no país.

Os dados constam do balanço com dados referentes a agosto de 2026, elaborado pela ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) em parceria com a plataforma de mobilidade Tupi.

Mudança no padrão de instalação

Entre maio e agosto, o país adicionou 4.441 novos eletropostos à sua rede pública. Desse lote recente, 63% (2.805 unidades) pertencem à categoria de alta potência. A migração do perfil dos equipamentos é impulsionada pela queda no custo dos aparelhos, pelo ganho de escala dos operadores e pelo aumento na demanda por viagens rodoviárias de média e longa distância, além do crescimento de frotas corporativas.

Enquanto a AC (recarga lenta) permanece voltada para o uso cotidiano em condomínios, escritórios e locais de longa permanência, a recarga rápida passou a ditar o ritmo das novas instalações urbanas e rodoviárias.

Proporção de frota e raio-X regional

Com uma frota circulante estimada em 639.133 veículos plug-in (dividida entre 49% de modelos totalmente elétricos e 51% de híbridos plug-in), o Brasil apresenta atualmente uma proporção de 21,4 automóveis para cada ponto de recarga público ou semipúblico.

A cobertura geográfica chegou a 1.956 municípios, com presença crescente em cidades médias, polos turísticos e corredores logísticos. O levantamento revela ainda que estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste estão instalando proporcionalmente mais estações rápidas do que o Sudeste.

No Norte, por exemplo, 58,1% dos pontos disponíveis são de DC (corrente contínua), proporção que é de 49,7% no Nordeste e de 45,9% no Centro-Oeste. No Sudeste, que concentra 42,4% de toda a rede nacional, os pontos rápidos representam 27,9% do total.

Desafios regulatórios e conexão à rede

Com a maturidade do mercado de equipamentos, a entidade indica que o gargalo do setor deslocou-se da disponibilidade de carregadores para a infraestrutura de energia. O principal impasse atual envolve o tempo e as exigências técnicas impostas pelas distribuidoras para conectar novas cargas de alta potência à rede elétrica. O tema é objeto da Consulta Pública 033/2026, aberta pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

Já na esfera residencial e predial, o setor passou a contar com maior uniformidade técnica após a entrada em vigor das diretrizes nacionais do Corpo de Bombeiros para vistorias e de legislações estaduais, como a regulação paulista que assegura o direito de instalação de carregadores em vagas privativas de condomínios.