Lamborghini Urus SE Performante estreia com 801 cv e muito carbono
Nova versão topo de linha ganha 144 cv com conjunto plug-in, mas empata no 0 a 100 km/h com seu antecessor puramente a combustão
A Lamborghini lançou, nesta quarta-feira (1), o Urus SE Performante, seu mais novo modelo que ocupa o topo da família do Super SUV italiano para 2027. O carro herda o nome de um antecessor que foi descontinuado quando toda a linha migrou para o sistema híbrido plug-in, em 2024.
Agora, o Performante volta com propulsor elétrico. O sistema híbrido combina o V8 biturbo de 4.0 L com um motor elétrico de ímã permanente instalado à frente do câmbio automático de oito marchas, totalizando 812 cv de potência à 6.000 rpm e 1.000 Nm de torque disponíveis já a partir de 2.000 rpm.
São 146 cv a mais do que o Urus Performante anterior e 23 cv acima do Urus SE padrão, que usa o mesmo conjunto híbrido com uma calibração menos agressiva.
Os 3,3 segundos

A Urus SE Performante vai de 0 a 100 km/h em 3,3 segundos, um número impressionante levando em conta as dimensões e peso do carro. Porém é o mesmo tempo do Urus Performante anterior, que tinha apenas 666 cv e zero assistência elétrica.
A explicação é simples e está na balança: o novo modelo pesa 2.473 kg, ou seja, 323 kg a mais que o antecessor não eletrificado. A bateria de 25,9 kWh instalada sob o assoalho do porta-malas responde por boa parte desse acréscimo.
A relação peso-potência de 3 kg/cv é boa para o segmento, mas o segmento inteiro carrega o mesmo fardo. Na comparação direta, o Performante ganha de verdade na velocidade máxima de 312 km/h contra 306 km/h do antecessor a combustão.
A autonomia elétrica declarada é de mais de 60 km (WLTP), com velocidade máxima em modo EV de 130 km/h.
A suspensão AURA

A atualização mais significativa do Performante em relação ao SE padrão é o sistema de suspensão a ar de câmara dupla, batizado pela Lamborghini de AURA (arquitetura 2K2V: duas câmaras, duas válvulas). O SE convencional usa suspensão a ar de câmara simples, já o Performante anterior usava molas helicoidais.
O sistema opera com dois volumes de ar independentes por mola. A câmara primária, ativa em modos esportivos, garante rigidez máxima e suporte lateral preciso. A câmara secundária entra em cena nos modos voltados ao conforto: quando a válvula que conecta as duas câmaras se abre, o volume combinado absorve irregularidades com mais suavidade. Os amortecedores também estreiam válvulas independentes para compressão e extensão, ampliando o espectro de ajuste sem sacrificar um parâmetro para beneficiar o outro.
Os números declarados mostram uma redução de 55% no gradiente de rolagem em condução esportiva e 25% menos vibrações relacionadas ao conforto em comparação ao Urus Performante anterior. A via foi alargada em 16 mm para melhorar a estabilidade em curva e a precisão de direção.
Modo Rally

O Performante resgata o modo Rally, ausente no Urus SE padrão. A calibração amolece a suspensão para maximizar o contato dos pneus com o solo em superfícies soltas e redistribui mais torque para o eixo traseiro, permitindo derrapagens controladas. Os demais modos — Strada, Sport, Corsa e EV — são herdados do SE, com recalibrações específicas para o Performante.
Sensor 6D e freios IPB
O Urus SE Performante incorpora o sensor de seis graus de liberdade que estreou no protótipo Fenomeno, apresentado em Pebble Beach em 2025. Posicionado próximo ao centro de gravidade, o dispositivo mede acelerações nos três eixos espaciais e velocidades angulares de arfagem, rolamento e guinada — e apresentam-se os seis graus. Os dados alimentam o sistema Integrated Power Brake (IPB), que abandona a lógica binária do ABS convencional em favor de uma modulação contínua da pressão em cada pinça individualmente.
O resultado prático declarado é um aumento de 10% na potência de frenagem, 12% de melhora no tempo de resposta e distância de 200 a 0 km/h inferior a 130 metros. A eficiência de resfriamento dos freios cresceu 8% via um novo duto NACA dedicado que trabalha em conjunto com o splitter dianteiro.
Mais carga, mesmo arrasto

O capô ganhou entradas de ar funcionando como S-Duct (ar entra por baixo e sai por cima do capô) para extrair o ar quente do compartimento do motor — solução que manipula a pressão do ar em cima da carroceria e reduz a sustentação dianteira. Saídas nas laterais dos para-lamas direcionam o ar de alta pressão gerado pelas rodas de 23 polegadas para fora da carroceria, reduzindo a turbulência.
Na traseira, dois spoilers trabalham em conjunto: um montado no teto e um na tampa do porta-malas, combinados com o maior difusor já instalado em um Urus. O resultado declarado é uma carga aerodinâmica 16% maior que o Performante anterior e 23% acima do SE padrão, com coeficiente de arrasto idêntico ao do SE.
O aumento de sustentação dianteira foi controlado por um splitter dianteiro mais eficiente, que também direciona ar frio para os discos e pinças.
Carbono, titânio e 32 kg a menos

A Lamborghini reduziu 32 kg em relação ao SE padrão com o uso extensivo de fibra de carbono exposta: no capô, splitter dianteiro, soleiras laterais e difusor traseiro. O escapamento de titânio, desenvolvido em parceria com a Akrapovič, contribui com 10 kg dessa economia. A configuração eliminou a conexão em X entre os dois bancos de cilindros, tornando as linhas de escape independentes — resultado: menos turbulência no fluxo de gases e um som declarado como mais estruturado e com menos sobretons.
No interior, chegam revestimentos em microfibra CorsaTex, da Dinamica, tela central de 12,3 polegadas com nova interface gráfica inspirada na flagship Revuelto, painel de botões físicos com referência à aviação e volante com aro também em fibra de carbono. Os 2,7 kg economizados com os novos revestimentos também fazem parte da conta total de redução de massa.
Ficha técnica resumida
- Motor: 4.0L V8 biturbo + motor elétrico permanente
- Potência combinada: 812 cv (6.000 rpm)
- Torque: 1.000 Nm / 100 kgfm (de 2.000 a 5.500 rpm)
- Câmbio: Automático de 8 marchas
- Tração: Integral, com diferencial traseiro de bloqueio eletrônico e "Modo Rally"
- 0 a 100 km/h: 3,3 s
- 0 a 200 km/h: 10,8 s
- Velocidade máxima: 312 km/h
- Bateria: 25,9 kWh (íon de lítio)
- Autonomia elétrica: 60 km, no ciclo WLTP
- Velocidade máxima no modo EV: 130 km/h
- Peso homologado: 2.473 kg
- Rodas: 22" ou 23"
A Lamborghini não confirmou preço para o Brasil. No mercado americano, a expectativa é de chegada próxima ao início de 2027, com preço em torno de US$ 300 mil, cerca de R$ 1,7 milhão, antes de impostos de importação.
*Sob supervisão de Gabriela Maraccini


