McLaren confirma SUV para rivalizar com Ferrari Purosangue
Aporte de £500 milhões no Reino Unido garantirá produção própria de motores inéditos e criação de mais de mil empregos para acelerar nova fase da marca

A McLaren Automotive confirmou oficialmente o desenvolvimento de seu primeiro SUV, encerrando anos de especulações e quebrando um tabu histórico da fabricante britânica. O anúncio integra um novo programa de investimentos de 500 milhões de libras (cerca de R$ 3,5 bilhões) no Reino Unido, financiado pelo fundo de investimento soberano do governo de Abu Dhabi.
O novo modelo chegará ao mercado até o final da década (2029) para rivalizar diretamente com os concorrentes de peso do segmento de ultra-luxo e alta performance: Ferrari Purosangue, Lamborghini Urus e Aston Martin DBX.

Durante a década passada, a antiga gestão da McLaren rejeitava categoricamente a ideia de produzir um SUV para não diluir o DNA de superesportivos da marca. A mudança de rumo consolidou-se sob o comando do CEO Michael Leiters, executivo com passagens pela Porsche e pela própria Ferrari, onde participou do desenvolvimento de modelos como o Cayenne e o Purosangue, e após a reestruturação acionária conduzida pelo grupo CYVN Holdings.
Embora a fabricante não tenha divulgado dados técnicos oficiais sobre o futuro SUV, o veículo deve contar com quatro portas, espaço para até cinco ocupantes e tração integral impulsionada por um conjunto mecânico híbrido. A estrutura do SUV pode ainda utilizar uma arquitetura em fibra de carbono derivada dos carros de corrida da marca.
Motores próprios e produção em solo britânico

Além do SUV, o pacote de £ 500 milhões (aproximadamente R$ 3,6 bilhões) viabilizará uma transformação operacional na fabricante. Pela primeira vez na história da McLaren, os motores e transmissões das próximas gerações de veículos serão projetados e construídos internamente no Reino Unido, encerrando a parceria histórica com fornecedores fabris externos.
A nova fase começará com o desenvolvimento de dois motores inéditos focados em eletrificação híbrida. Para suportar o aumento de volume, a empresa planeja construir uma nova unidade de montagem de veículos no país e ampliar as operações do McLaren Production Centre, em Woking, e do centro de tecnologia em fibra de carbono, em South Yorkshire.
O plano de expansão também integra instalações recém-inauguradas, como o centro de design em Bicester e a pista de testes nas Midlands.
Renovação de superesportivos e novos empregos

A expectativa da McLaren é que o programa gere pelo menos 1.000 novos empregos diretos e indiretos nas operações britânicas até 2032, dobrando sua força de trabalho fabril, além de criar até 3.000 vagas adicionais na cadeia de fornecedores local.
"Este investimento nos dá a plataforma para crescer, desenvolver e construir sobre o que nos torna distintos, enquanto investimos nas pessoas, tecnologias e produtos que nos manterão competitivos pelas próximas décadas", declarou Nick Collins, CEO da McLaren Group Holdings e da McLaren Automotive.
O avanço para a categoria de SUVs não significa o abandono dos carros esporte tradicionais. Paralelamente ao anúncio, há rumores de que a marca prepara a substituição do híbrido de entrada Artura até 2028 por um novo superesportivo de motor central V6 biturbo, já que o modelo terá praticamente 10 anos de linha ao final da década.


