PHEV, MHEV, BEV e REEV: entenda as siglas dos carros eletrificados
Um carro pode ser híbrido de vários jeitos diferentes, e as siglas facilitam a sua vida para saber, com apenas algumas letras, exatamente o tipo de sistema que você está dirigindo

O recente boom de veículos eletrificados no Brasil trouxe para o cotidiano do consumidor uma variedade de siglas bastante similares e fáceis de confundir. Com os modelos movidos por baterias e motores elétricos alcançando uma fatia bem mais expressiva das vendas de carros zero km no país, os termos técnicos e siglas em inglês tornaram-se fundamentais para compreender a tecnologia a bordo de cada automóvel, já que apresentam entre si comportamentos e exigências completamente diferentes, mesmo carregando a mesma classificação simplificada de "carro híbrido" ou "elétrico".
As mecânicas dos eletrificados oferecidas variam desde sistemas de assistência elétrica simples até modelos elétricos com motores a combustão como geradores de energia para a bateria.
Começando pelas letras presentes no final de todas as siglas a seguir, o termo Electric Vehicle, ou veículo elétrico, nos dá a sigla EV, que, quando sozinha, é utilizada universalmente para se referir a um carro puramente elétrico. Portanto, não é difícil encontrar carros com a sigla no nome, como é o caso dos Chevrolet Captiva, Tracker e Equinox EV; toda a linha Kia EV (EV3, EV6 e EV9); entre outros, mesmo que as marcas sigam uma tendência de criar seus próprios nomes para indicar seus modelos elétricos, como a linha ID. da Volkswagen; Ioniq da Hyundai; EX da Volvo; i da BMW; EQ da Mercedes-Benz; e assim por diante.
Agora sim, vamos às derivadas mais complexas:
MHEV: o híbrido "assistente"

O Mild Hybrid Electric Vehicle, ou híbrido leve, funciona como uma solução de assistência ao motor a combustão tradicional. Diferente dos híbridos plenos, o sistema utiliza um pequeno gerador elétrico (que opera em redes de 12V, 24V ou 48V) para substituir o alternador e o motor de arranque convencionais.
O propulsor elétrico do MHEV não traciona o veículo de forma isolada, aqui o foco é em aumentar a autonomia do veículo. Sua função é auxiliar o motor a combustão em partidas, retomadas e aceleração, reduzindo o esforço do bloco térmico em momentos estratégicos para diminuir o consumo de combustível e a emissão de gases poluentes.
PHEV: o híbrido que carrega na tomada

Já o Plug-in Hybrid Electric Vehicle, ou híbrido plug-in, representa a combinação mais direta entre as propulsões a combustão e elétrica. O modelo é equipado com o clássico motor térmico (que roda a gasolina, etanol ou diesel), um ou mais propulsores elétricos e um conjunto de baterias de média capacidade.
O grande diferencial do PHEV é a possibilidade de ter sua bateria recarregada em fontes externas de energia, como wallbox residenciais ou estações públicas de carregamento. Essa arquitetura permite que o motorista realize trajetos maiores rodando apenas no modo 100% elétrico e acione o motor a combustão apenas para situações específicas que exijam mais potência ou viagens de longa distância, tornando ambos os mundos bastante presentes na direção.
HEV: o tal do "híbrido pleno"

O Hybrid Electric Vehicle, mais conhecido como híbrido pleno, utiliza um motor a combustão e um ou mais motores elétricos atuando de forma integrada. Porém, diferente do PHEV, ele possui uma bateria de menor capacidade e não vai à tomada.
Nesta configuração, o próprio sistema gerencia o uso dos motores. Em arrancadas e velocidades baixas, o carro pode rodar por curtas distâncias apenas com a energia elétrica. Conforme a demanda por potência aumenta, o motor a combustão entra em ação de forma automática. O banco de baterias é regenerado sozinho durante as desacelerações e frenagens e até pelo próprio funcionamento do motor térmico, que pode atuar como gerador quando necessário.
REEV: elétrico com backup a combustão

Também identificado pelas siglas EREV ou REx, o Range-Extended Electric Vehicle, ou elétrico de autonomia estendida, é um carro elétrico na sua dinâmica de rodagem, ou seja, as rodas do veículo são impulsionadas exclusivamente por motores elétricos.
A peculiaridade em relação aos elétricos puros está na presença de um motor a combustão a bordo. Esse motor térmico não possui conexão mecânica com as rodas e não traciona o veículo; sua única função é atuar como um gerador de energia para recarregar o banco de baterias quando o nível de carga fica baixo, ampliando o alcance do automóvel sem dependência imediata de tomadas em viagens longas.
BEV: o elétrico puro

O Battery Electric Vehicle, ou veículo elétrico a bateria, é o modelo 100% elétrico em sua forma mais pura. Ele não possui qualquer tipo de motor a combustão, dependendo exclusivamente de um pacote de baterias de íons de lítio instalado no assoalho para alimentar um ou mais motores elétricos.
Por não utilizar combustíveis fósseis, o BEV tem emissão zero de poluentes durante a rodagem. A recarga é feita de forma totalmente externa, em tomadas de corrente alternada (AC) ou em estações de carregamento rápido em corrente contínua (DC).
FCEV: eletricidade gerada por hidrogênio

O Fuel Cell Electric Vehicle, ou veículo elétrico a célula de combustível, também é um carro de tração 100% elétrica, mas que não depende de recargas na rede pública de energia ou de grandes bancos de baterias pesadas.
Em vez disso, o veículo é abastecido com gás hidrogênio em tanques de alta pressão. Dentro da chamada "célula de combustível", o hidrogênio reage quimicamente com o oxigênio retirado do ar do ambiente, gerando a eletricidade necessária para mover o motor elétrico. O único subproduto liberado pelo escapamento do automóvel nesse processo é vapor de água. A principal vantagem do FCEV é o tempo de reabastecimento — semelhante ao de um carro a gasolina —, embora a expansão da tecnologia ainda enfrente desafios no custo de produção e na infraestrutura global de postos de hidrogênio.


