Américo Martins
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Américo Martins

Especialista em jornalismo internacional e fascinado pelo mundo desde sempre, foi diretor da BBC de Londres e VP de Conteúdo da CNN; já visitou mais de 70 países

Análise: Trump terá que decidir em breve se declara vitória ou invade o Irã

Essas são as únicas opções realistas para levar à reabertura do Estreito de Ormuz no curto prazo e aliviar a pressão econômica causada pela guerra

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai ter que decidir muito em breve se invade o Irã ou se encerra rapidamente a guerra, alegando ter alcançado todos os seus objetivos militares.

Apenas uma dessas duas opções poderá levar, no curto prazo, à reabertura do Estreito de Ormuz, bloqueado na prática pelo Irã desde o início da guerra.

A estratégia mais confortável de simplesmente continuar uma campanha de bombardeios aéreos dificilmente conseguirá, por si só, liberar essa rota estratégica, por onde passam cerca de 20% do petróleo exportado no mundo.

Apesar de sofrer ataques intensos, incluindo a destruição de dezenas de alvos militares e de quase toda a sua Marinha, o Irã mantém sua capacidade de interromper o tráfego marítimo na região do Golfo Pérsico usando táticas simples e eficazes de guerra assimétrica.

Os iranianos não precisam de uma Marinha forte ou de armas sofisticadas para manter o risco elevado e afastar seguradoras, empresas de navegação e petroleiros do estreito.

Eles utilizam armas muito baratas, como drones, minas navais e até embarcações improvisadas carregadas de explosivos, para atacar petroleiros e cargueiros na região.

É muito difícil destruir essa capacidade de ataque de forma rápida apenas com bombardeios aéreos, por mais intensos e constantes que sejam.

As táticas iranianas expõem um problema central da estratégia americana: a ausência de um objetivo claro desde o início do conflito e um planejamento precipitado, sem medir as possíveis reações dos aiatolás.

Trump não conseguiu até agora definir com precisão o que pretende alcançar com a guerra.

Em diferentes momentos, falou em derrubar o regime, destruir o programa nuclear ou neutralizar totalmente a capacidade militar iraniana (que é o objetivo central de Israel).

Sem um objetivo bem definido, os militares americanos operam sem uma meta clara, o que complica sua atuação.

Mas, por outro lado, isso dá ao presidente uma margem de manobra política para encerrar o conflito a qualquer momento, simplesmente declarando vitória de forma triunfante, bem ao seu estilo.

Além disso, a alternativa de uma invasão terrestre é muito arriscada.

O deslocamento de milhares de soldados americanos para a região indica que essa possibilidade está em séria consideração por Trump.

Uma operação desse tipo poderia, de fato, forçar uma mudança de regime e abrir o estreito. Mas também colocaria os Estados Unidos em um conflito prolongado, com alto custo humano, militar e político.

Seria, na prática, mais uma “guerra sem fim”, exatamente o tipo de intervenção que Trump prometeu evitar.

Ao fim e ao cabo, Trump se vê preso a uma equação que ele próprio ajudou a criar ao iniciar uma guerra sem objetivo claro contra um adversário que domina o campo econômico do conflito ao controlar um gargalo energético que redefine o equilíbrio global.

A decisão que ele tomar agora não será apenas militar. Será uma escolha entre admitir limites ou arriscar aprofundar um erro estratégico que já começa a redesenhar o cenário internacional.