Análise: Trump terá que decidir em breve se declara vitória ou invade o Irã
Essas são as únicas opções realistas para levar à reabertura do Estreito de Ormuz no curto prazo e aliviar a pressão econômica causada pela guerra

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai ter que decidir muito em breve se invade o Irã ou se encerra rapidamente a guerra, alegando ter alcançado todos os seus objetivos militares.
Apenas uma dessas duas opções poderá levar, no curto prazo, à reabertura do Estreito de Ormuz, bloqueado na prática pelo Irã desde o início da guerra.
A estratégia mais confortável de simplesmente continuar uma campanha de bombardeios aéreos dificilmente conseguirá, por si só, liberar essa rota estratégica, por onde passam cerca de 20% do petróleo exportado no mundo.
Apesar de sofrer ataques intensos, incluindo a destruição de dezenas de alvos militares e de quase toda a sua Marinha, o Irã mantém sua capacidade de interromper o tráfego marítimo na região do Golfo Pérsico usando táticas simples e eficazes de guerra assimétrica.
Os iranianos não precisam de uma Marinha forte ou de armas sofisticadas para manter o risco elevado e afastar seguradoras, empresas de navegação e petroleiros do estreito.
Eles utilizam armas muito baratas, como drones, minas navais e até embarcações improvisadas carregadas de explosivos, para atacar petroleiros e cargueiros na região.
É muito difícil destruir essa capacidade de ataque de forma rápida apenas com bombardeios aéreos, por mais intensos e constantes que sejam.
As táticas iranianas expõem um problema central da estratégia americana: a ausência de um objetivo claro desde o início do conflito e um planejamento precipitado, sem medir as possíveis reações dos aiatolás.
Trump não conseguiu até agora definir com precisão o que pretende alcançar com a guerra.
Em diferentes momentos, falou em derrubar o regime, destruir o programa nuclear ou neutralizar totalmente a capacidade militar iraniana (que é o objetivo central de Israel).
Sem um objetivo bem definido, os militares americanos operam sem uma meta clara, o que complica sua atuação.
Mas, por outro lado, isso dá ao presidente uma margem de manobra política para encerrar o conflito a qualquer momento, simplesmente declarando vitória de forma triunfante, bem ao seu estilo.
Além disso, a alternativa de uma invasão terrestre é muito arriscada.
O deslocamento de milhares de soldados americanos para a região indica que essa possibilidade está em séria consideração por Trump.
Uma operação desse tipo poderia, de fato, forçar uma mudança de regime e abrir o estreito. Mas também colocaria os Estados Unidos em um conflito prolongado, com alto custo humano, militar e político.
Seria, na prática, mais uma “guerra sem fim”, exatamente o tipo de intervenção que Trump prometeu evitar.
Ao fim e ao cabo, Trump se vê preso a uma equação que ele próprio ajudou a criar ao iniciar uma guerra sem objetivo claro contra um adversário que domina o campo econômico do conflito ao controlar um gargalo energético que redefine o equilíbrio global.
A decisão que ele tomar agora não será apenas militar. Será uma escolha entre admitir limites ou arriscar aprofundar um erro estratégico que já começa a redesenhar o cenário internacional.



