Cessar-fogo chega ao fim e amplia tensões entre EUA e Irã
Acordo provisório entre os dois países tinha duração prevista de 60 dias e vence nesta segunda-feira (17)
O acordo provisório de cessar-fogo entre o Irã e os Estados Unidos, previsto para durar 60 dias, chega ao fim oficialmente nesta segunda-feira (17) em meio a um aumento de tensões entre os dois inimigos.
O pacto, fechado em meados de junho, previa uma pausa de dois meses nos ataques de lado a lado para abrir espaço a negociações mais amplas e definitivas.
O texto do documento, no entanto, era tão genérico que permitiu que cada lado tivesse sua própria interpretação sobre assuntos cruciais como a administração do tráfego marítimo no estreito de Ormuz e o futuro do programa nuclear iraniano.
Na prática, o acordo levou a novos episódios de tensão, acusações de violações e, sobretudo, acabou impedindo qualquer avanço real nos temas centrais.
Nas últimas semanas, os dois inimigos voltaram a se atacar fortemente; o Estreito de Ormuz foi praticamente fechado e os Estados Unidos intensificaram a presença militar na região.
Na última sexta-feira, o presidente Donald Trump elevou ainda mais as tensões ao afirmar que o seu governo pretende declarar o estreito de Ormuz como “território norte-americano”.
O governo iraniano reagiu de forma direta e contundente, rejeitando completamente essa possibilidade.
O vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibabadi, afirmou que o estreito “não pode ser tomado por tuítes, porta-aviões ou discursos políticos”. E reafirmou que a abertura ou fechamento da rota depende exclusivamente do Irã.
O impasse mostra que o estreito deve permanecer, de fato, fechado por tempo indeterminado.
Ao mesmo tempo, não há nenhum sinal de retomada das negociações para um acordo de paz.
Os dois inimigos continuam conversando com intermediários, como os governos do Catar e Paquistão, mas parecem longe de uma negociação formal.
O próprio governo iraniano agora relativiza o acordo. Diz que não se tratava exatamente de um cessar-fogo prorrogável, mas de uma janela limitada para tentar encerrar o conflito, o que não aconteceu.
Com o fim do acordo, no entanto, o cenário é de ainda mais incerteza.
Sem avanços diplomáticos e com posições cada vez mais distantes, Estados Unidos e Irã continuam em confronto, com alto risco de escalada regional.



