Campanha de Flávio se reorganiza para tentar evitar virada de Lula
Aliados avaliam que candidato precisa de mais porta-vozes na reta final do 2º turno
As pesquisas eleitorais mais recentes, que mostraram oscilação positiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas intenções de voto, dentro da margem de erro, levaram a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) a debater uma reorganização interna para a reta final do segundo turno.
Uma primeira avaliação é a de que a campanha precisa se comunicar mais com o eleitor, com mais porta-vozes falando. Isso inclui desde formuladores das políticas que serão implementadas caso o senador vença as eleições até aliados, como governadores eleitos e candidatos que declararam apoio, caso de Ronaldo Caiado (PSD).
A avaliação é de que a intensa campanha negativa liderada pelo PT no segundo turno surtiu efeito não só no eleitor, mas na própria campanha, que passou a ter receio de dizer abertamente o que pretende fazer caso o candidato Flávio vença. Um interlocutor próximo ao candidato relatou à CNN que a campanha “entrou em um silêncio grande” e que isso também permitiu ao petista avançar.
Um exemplo citado é o da coordenadora do programa econômico de Flávio, Daniella Marques, que ficou todo o segundo sem ter concedido entrevistas a redes de televisão. A primeira foi nesta quinta-feira à Rede Bandeirantes
Entre os aliados, o exemplo dado é o de Augusto Cury. Considerado o principal apoio obtido depois da vitória no primeiro turno, Cury foi para Portugal, e não há previsão de agenda conjunta com Flávio nem de manifestação pública mais incisiva de apoio.
Outro exemplo foi o debate desta quinta-feira (15), sobre segurança pública, área em que a direita sempre conseguiu trafegar melhor do que a esquerda. Potenciais porta-vozes da campanha, como o senador eleito Guilherme Derrite (PL-SP), relator da PEC, ocuparam mais tempo discutindo com jornalistas nas redes sociais sobre Alexandre de Moraes do que defendendo a redução da maioridade penal. Já o governador eleito do Paraná, Sergio Moro, também ligado ao tema, não apareceu.
A ideia, daqui em diante, é fazer um esforço maior para que, até 25 de outubro, a campanha e seus aliados falem mais.
A mobilização nas ruas e nas redes para contrapor o petismo também está em curso e é considerada uma grande aposta, em especial neste fim de semana, quando Flávio vai ao Rio de Janeiro no sábado (17) e a São Paulo no domingo (18) para manifestações. O plano é usar recortes dos atos nas redes sociais.
Questionados sobre a oscilação de Lula, aliados de Flávio afirmam que o movimento era esperado porque o PT se reorganizou no início do segundo turno, depois da derrota no primeiro, e que seria natural um crescimento do petista. A percepção, no entanto, é a de que Flávio mantém o favoritismo, com tendência de vitória. Os trackings internos também o colocam em situação mais favorável do que a mostrada pelas pesquisas.



