Caio Junqueira
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Caio Junqueira

Formado em Direito e Jornalismo, cobre política há 23 anos, 10 deles em Brasília cobrindo os Três Poderes. Passou por Folha, Valor, Estadão e Crusoé

Falas de Flávio e Valdemar põem em xeque discurso de moderação do PL

Valdemar citou Bolsonaro candidato em 2030, e Flávio falou em mudar a Constituição; campanha teme que declarações possam ser usadas em estratégia do PT

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Declarações do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e do candidato do partido à Presidência, Flávio Bolsonaro, puseram em xeque a estratégia de apresentar o senador como um Bolsonaro moderado e acenderam um alerta na campanha.

Na segunda-feira (5), Valdemar afirmou que Jair Bolsonaro pode ser candidato em 2030. Na terça-feira (6), Flávio disse que deverá mudar a Constituição.

Diante da repercussão, Flávio ajustou a fala e disse que se referia a mudanças constitucionais para reduzir a maioridade penal e fazer uma reforma do Judiciário.

Ainda assim, a declaração foi considerada um erro. Para integrantes da campanha, ela abriu margem para o PT avançar na estratégia de explorar o "medo" do eleitorado em relação a um eventual governo Flávio, com escalada autoritária e supressão de direitos sociais.

Imagem de moderado

Desde o início da campanha, o PL tenta apresentar Flávio como um candidato moderado, aberto ao diálogo com adversários e sem os radicalismos que marcaram o governo de Jair Bolsonaro, como a resistência às vacinas e o confronto com o STF.

Por isso, a campanha correu para aconselhar Flávio a esclarecer quais reformas constitucionais pretende fazer. O foco ficou em uma pauta que ele, o PL e até mesmo aliados defendem: a reforma do Judiciário.

Fala de Valdemar

A declaração de Valdemar também foi vista como um erro por fontes próximas à campanha. Segundo elas, a fala não foi combinada com o candidato e contradiz a promessa de Flávio de apoiar uma PEC (proposta de emenda à Constituição) para acabar com a reeleição. A proposta é vista como uma forma de atrair uma ampla coalizão de direita para a reta final do segundo turno e para um eventual governo.

A fala ainda sugere a perpetuação da família no poder. Flávio precisou vir a público para dizer que o pai não será candidato em 2030.

Preocupação na campanha

O principal receio da campanha é que novos deslizes, de aliados ou do próprio candidato, aconteçam até o segundo turno. Isso abriria espaço para o PT repetir uma arma bem-sucedida em 2022: o discurso do medo de que um mandato de Flávio seja parecido com o do pai, derrotado nas urnas naquele ano.

Integrantes da campanha avaliam que o favoritismo de Flávio pode ser revertido se houver erros parecidos com os que são apontados como decisivos na derrota de 2022. Um deles foi a então deputada Carla Zambelli perseguindo um crítico com uma arma na mão, em São Paulo. Outro foi Roberto Jefferson recebendo a Polícia Federal a tiros em sua casa.