Governo vê Mendonça como "agente eleitoral", mas evita confronto de Lula
Estratégia é evitar que desgaste de Alexandre de Moraes contamine campanha

O governo Lula entende que o ministro-relator do caso Master no STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça, virou um agente eleitoral cujos atos impactam diretamente as eleições e favorecem a principal candidatura de oposição, a de Flávio Bolsonaro (PL).
Mas a estratégia imediata é evitar que Lula entre em confronto direto com ele para que o desgaste da imagem de Alexandre de Moraes, de quem Mendonça virou antagonista na Corte, seja transferido para o presidente.
A ideia, nesse sentido, é deixar que o confronto com Mendonça se dê, por enquanto, no front jurídico, como no recurso da Advocacia-Geral da União à decisão dele de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. E deixar que a conotação eleitoral seja conduzida por aliados na Corte ou no próprio governo.
Foi o que ocorreu nesta terça-feira. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, divulgou uma nota na qual sugere que a decisão de Mendonça de afastar Rodrigues "cheira a eleitoral". "É descabida e uma intromissão onde não lhe cabe. Apurar eventuais indícios de delitos está correto. Mas essa medida me cheira como eleitoral. Isso não pode! O STF precisa tomar providências", disse Guimarães.
Mais tarde, Gilmar Mendes também fez a menção eleitoral em seu voto. "O Plenário assentou, em razão da paridade de armas e do dever de neutralidade do Estado em relação aos partidos políticos e candidatos, a inconstitucionalidade de decisões jurisdicionais tendentes a promover o desequilíbrio da disputa político-eleitoral", disse o ministro.
Para interlocutores de Lula, ao terceirizar as críticas, o governo consegue evitar que o presidente se contamine com Moraes, mas, ao mesmo tempo, permite que a ideia de que Mendonça atue para Flávio seja disseminada perante o eleitorado.



