Mendonça X PF: Lula é aconselhado a manter reação institucional

Decisão de Mendonça irritou integrantes da campanha de Lula, que o veem agindo em prol de interesses eleitorais

Danilo Moliterno e Isabel Mega, da CNN Brasil, Brasília
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vem sendo aconselhado a reagir "institucionalmente" à decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), de afastar Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da PF (Polícia Federal).

A ideia é, primeiro, recorrer à decisão via AGU (Advocacia-Geral da União). O governo vai arguir a violação de competência privativa do presidente da República ainda nesta terça-feira (8). O argumento é de que cabe somente a Lula indicar o chefe da PF.

O entorno do petista quer também uma nova reunião entre Lula e o presidente do STF, Edson Fachin, para tratar do tema o mais rápido possível.

A decisão de Mendonça irritou integrantes da campanha de Lula, que o veem agindo em prol de interesses eleitorais. Os "vazamentos" dos casos do Banco Master e das fraudes do INSS, que estão no gabinete do ministro, vêm sendo usados pela campanha de adversários como munição contra o petista.

A avaliação interna na campanha é de que o petista, em meio a este bombardeio, perdeu a "prerrogativa" de pautar o debate eleitoral com temas de seu interesse, como a defesa da soberania e o fim da escala 6x1.

A aposta do PT para enfrentar a crise já vinha sendo destacar a imagem "institucional" de Lula, como um mandatário experimentado e capaz de arbitrar em um momento de crise. O pronunciamento do presidente, gravado no Palácio do Planalto e veiculado na noite da quinta-feira (3), foi parte dessa estratégia.

A Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria nesta terça-feira para manter Andrei Rodrigues afastado da direção da PF (Polícia Federal). O julgamento, porém, está suspenso por pedido de vista (mais tempo para análise) do ministro Gilmar Mendes, o que atrasa a proclamação do resultado colegiado.

A decisão de Mendonça ocorre após o ministro Alexandre de Moraes ter utilizado relatórios de inteligência da Polícia Federal para apontar possíveis crimes de abuso de autoridade atribuídos a Mendonça na condução da relatoria do Banco Master e das fraudes do INSS.