Alexandre Silveira alega problema de agenda e não deve ir a evento da Petrobras
Ministro de Minas e Energia e presidente da estatal têm visões discordantes sobre pagamento de dividendos aos acionistas

O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, promove nesta sexta-feira um seminário sobre transição energética em São Luís (MA).
Os ministros de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que nos últimos dias protagonizou nos bastidores um embate com Prates pela distribuição dos dividendos, foi convidado mas alegou problemas na agenda e não deve comparecer.
A ministra de Meio Ambiente, Marina Silva, também foi convidada mas também não irá.
Os painéis do seminário intitulado “Transição Justa e Segurança Energética” debaterão temas como a atuação da estatal nas regiões Norte e Nordeste, novas fronteiras de produção de petróleo e gás nas bacias terrestres de Solimões e Parnaíba, financiamento verde e fundos ambientais e tecnologias inovadoras para preservação e conservação da floresta e a exploração de petróleo na margem equatorial.
Embora o tema do seminário seja diretamente ligado aos dois ministérios convidados, há divergências sobre certos aspectos.
A ministra Marina Silva, por exemplo, tem restrições à exploração de petróleo na margem equatorial, de onde Prates defende que viriam os recursos para financiar uma transição energética no país do combustível fóssil para uma energia limpa.
O Ibama, órgão ligado a Meio Ambiente, segura desde junho de 2023 um recurso da Petrobras à decisão do órgão de não conceder licenciamento para a perfuração de um poço na bacia da Foz do Amazonas.
O ministro Alexandre Silveira por sua vez é um ferrenho defensor da exploração na área, mas tem desde o começo do governo Lula entrado em rota de colisão con Prates em diversos assuntos.
O mais recente foi a política de divisão de dividendos da Petrobras. A decisão patrocinada pelo Conselho de Administração, da qual Prates se absteve de votar, levou a uma crise interna no governo pela perda de valor da estatal no dia seguinte na Bolsa de Valores.
O resultado concreto da operação acabou sendo a ordem de Lula para que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pudesse indicar alguém para o Conselho. O indicado foi Rafael Dubeaux, justamente o responsável na Fazenda pela agenda de transição energética, tema do seminário da Petrobras nesta sexta.
A CNN procurou o Ministério de Minas e Energia e do Meio Ambiente, mas eles não se posicionaram.



