Clarissa Oliveira
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Clarissa Oliveira

Viveu seis anos em Brasília. Foi repórter, editora, colunista e diretora em grandes redações como Folha, Estadão, iG, Band e Veja

Lula já acenou a Pacheco com governo de MG, ministério e até Presidência

Presidente tentou convencer senador a concorrer em 2026 e garantir palanque forte no Estado

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião ao lado do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco  • Ricardo Stuckert/PR
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Além de tentar convencer Rodrigo Pacheco (PSD-MG) a concorrer ao governo de Minas Gerais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já colocou na mesa um farto cardápio de alternativas para o futuro político do ex-presidente do Senado.

Segundo fontes próximas ao presidente, a lista de alternativas já contemplou um ministério em um eventual quarto mandato e até mesmo uma candidatura à Presidência da República.

As opções fazem parte do esforço do presidente para tentar destravar a indicação de Jorge Messias para o STF (Supremo Tribunal Federal).

Na segunda-feira (17), Lula e Pacheco se reuniram no Palácio do Planalto.

Como informou a CNN Brasil, a resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ao nome do advogado-geral da União fez com a que conversa fosse vista como decisiva para solucionar a indicação ao STF.

Na reunião de ontem, realizada no fim da tarde no Palácio do Planalto, Lula teria argumentado mais uma vez que gostaria de ter Pacheco à frente de um palanque forte em Minas.

Ao confirmar o encontro, Pacheco disse à CNN Brasil que respeita a decisão de Lula de indicar Messias e se disse honrado por “ter sido lembrado”. Mas avisou que não tem a intenção de permanecer na vida pública após encerrado seu mandato de senador.

Nem todas as sugestões feitas por Lula a Pacheco vieram na conversa de ontem. Em uma outra reunião recente, relatada por um interlocutor à CNN Brasil, o petista chegou a dizer a Pacheco que enxergava no senador um “perfil para ser candidato a presidente”. Lula também disse, ainda segundo o relato, que, no caso de uma eventual derrota em Minas, Pacheco teria automaticamente um assento garantido no governo.

Há no PT quem defenda que o senador poderia ocupar a cadeira de ministro da Justiça, substituindo Ricardo Lewandowski caso Lula seja reeleito. Ou ainda quem defenda que ele ocupe a cadeira do próprio Messias na Advocacia-Geral da União.

Apesar da sinalização tirada da conversa de segunda-feira, a avaliação nos bastidores é que a conversa com Pacheco não solucionou os dois principais dilemas de Lula.

O primeiro é a resistência do Senado ao nome de Jorge Messias, já que os sinais vindos da Casa seriam de insatisfação e insistência para que Pacheco seja o escolhido.

O segundo impasse é a dificuldade de montar um palanque forte em Minas Gerais para as eleições de 2026. Sem Pacheco, o PT chegou a ventilar nos bastidores o nome do presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite (MDB). Mas há a avaliação de que Lula não pode prescindir de um palanque sólido no segundo maior colégio eleitoral do país.

Para uma fonte próxima a Lula ouvida pela CNN Brasil, ainda não há martelo batido para que Messias seja anunciado para o STF.

Uma ala no governo ainda avalia que Alcolumbre talvez acabe falando mais alto, pressionando o Planalto por uma mudança na indicação.

Outra ala do governo defende que Lula apresse o anúncio do novo ministro do STF, até para evitar que o AGU fique exposto e sofra ainda mais desgaste por conta das negociações.

No círculo próximo a Messias, a tese é que, desde que Lula banque a candidatura de uma vez por todas, o Senado acabará aprovando a indicação.