Cleber Rodrigues
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Cleber Rodrigues

Gaúcho radicado no Rio. Há quase 20 anos traduzindo os fatos com leveza, responsabilidade e bons bastidores. Quase sempre acompanhado de um café.

PF investiga origem de carros apreendidos em operação que prendeu Canella

Segundo fontes da Polícia Federal, parte dos veículos foi apreendida com policiais civis investigados; apenas um deles é avaliado em mais de R$ 2,5 milhões

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A Polícia Federal investiga se veículos de luxo apreendidos nesta terça-feira (7), durante a 6ª fase da Operação Unha e Carne, foram adquiridos com recursos provenientes de lavagem de dinheiro.

Na ação, o ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, Márcio Canella (União Brasil), foi preso em flagrante por porte ilegal de arma após, segundo a PF, um fuzil ser encontrado no carro dele.

De acordo com fontes da Polícia Federal, parte dos veículos apreendidos está vinculada a dois policiais civis investigados. Um dos automóveis, uma Mercedes-AMG G 63 blindada, é avaliado em mais de R$ 2,5 milhões no mercado brasileiro.

A maior parte dos carros foi apreendida em mandados cumpridos em duas residências nos bairros de Camboinhas e Piratininga, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Além da Mercedes, os agentes recolheram outros sete veículos de luxo, entre eles uma BMW X6, avaliada em cerca de R$ 900 mil, e uma Land Rover Defender, avaliada em aproximadamente R$ 600 mil.

Durante as buscas, os policiais federais também apreenderam armas, munições, relógios de luxo, cerca de R$ 800 mil em espécie e documentos, que serão analisados no decorrer da investigação.

Os veículos foram encaminhados à Superintendência da Polícia Federal, na Zona Portuária do Rio, e integram os bens apreendidos por determinação da Justiça, que autorizou o sequestro de bens e valores dos investigados.

Nesta terça-feira (7), a PF cumpriu 19 mandados de busca e apreensão na capital fluminense e em outros quatro municípios do estado.

Segundo as investigações, a organização criminosa movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) encaminhado à Polícia Federal.

De acordo com a PF, o grupo investigado utilizava uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio como plataforma para lavagem de dinheiro, com a participação de agentes públicos.

Os principais alvos da operação foram o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, e o delegado Marcus Amin. Canella também é presidente do União Brasil no Rio de Janeiro e pré-candidato ao Senado Federal. Já Marcus Amin foi secretário da Polícia Civil do estado.

Durante a ação, a PF apreendeu um fuzil calibre .556, de uso restrito, no carro de Canella. O ex-prefeito negou ser o proprietário da arma, mas foi preso em flagrante por porte ilegal do armamento.

Nas fases anteriores da Operação Unha e Carne, foram presos Rodrigo Bacellar, TH Joias, Thiago Rangel e o pastor Márcio Poncio.

A CNN Brasil entrou em contato com as defesas de Márcio Canella e Marcus Amin, além do União Brasil e a Alerj, e aguarda manifestação. O espaço permanece aberto.

A Polícia Civil do Rio informou que a Corregedoria-Geral da corporação instaurou uma investigação disciplinar para apurar os fatos e que não compactua com eventuais desvios de conduta.

Em nota, o Coaf informou que os dados, informações e análises contidos nos Relatórios de Inteligência Financeira são protegidos por sigilo e que o órgão não conduz investigações, limitando-se à produção e ao compartilhamento de inteligência financeira com as autoridades competentes.