PF investiga origem de carros apreendidos em operação que prendeu Canella
Segundo fontes da Polícia Federal, parte dos veículos foi apreendida com policiais civis investigados; apenas um deles é avaliado em mais de R$ 2,5 milhões
A Polícia Federal investiga se veículos de luxo apreendidos nesta terça-feira (7), durante a 6ª fase da Operação Unha e Carne, foram adquiridos com recursos provenientes de lavagem de dinheiro.
Na ação, o ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, Márcio Canella (União Brasil), foi preso em flagrante por porte ilegal de arma após, segundo a PF, um fuzil ser encontrado no carro dele.
De acordo com fontes da Polícia Federal, parte dos veículos apreendidos está vinculada a dois policiais civis investigados. Um dos automóveis, uma Mercedes-AMG G 63 blindada, é avaliado em mais de R$ 2,5 milhões no mercado brasileiro.
A maior parte dos carros foi apreendida em mandados cumpridos em duas residências nos bairros de Camboinhas e Piratininga, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Além da Mercedes, os agentes recolheram outros sete veículos de luxo, entre eles uma BMW X6, avaliada em cerca de R$ 900 mil, e uma Land Rover Defender, avaliada em aproximadamente R$ 600 mil.
Durante as buscas, os policiais federais também apreenderam armas, munições, relógios de luxo, cerca de R$ 800 mil em espécie e documentos, que serão analisados no decorrer da investigação.
Os veículos foram encaminhados à Superintendência da Polícia Federal, na Zona Portuária do Rio, e integram os bens apreendidos por determinação da Justiça, que autorizou o sequestro de bens e valores dos investigados.
Nesta terça-feira (7), a PF cumpriu 19 mandados de busca e apreensão na capital fluminense e em outros quatro municípios do estado.
Segundo as investigações, a organização criminosa movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) encaminhado à Polícia Federal.
De acordo com a PF, o grupo investigado utilizava uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio como plataforma para lavagem de dinheiro, com a participação de agentes públicos.
Os principais alvos da operação foram o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, e o delegado Marcus Amin. Canella também é presidente do União Brasil no Rio de Janeiro e pré-candidato ao Senado Federal. Já Marcus Amin foi secretário da Polícia Civil do estado.
Durante a ação, a PF apreendeu um fuzil calibre .556, de uso restrito, no carro de Canella. O ex-prefeito negou ser o proprietário da arma, mas foi preso em flagrante por porte ilegal do armamento.

Nas fases anteriores da Operação Unha e Carne, foram presos Rodrigo Bacellar, TH Joias, Thiago Rangel e o pastor Márcio Poncio.
A CNN Brasil entrou em contato com as defesas de Márcio Canella e Marcus Amin, além do União Brasil e a Alerj, e aguarda manifestação. O espaço permanece aberto.
A Polícia Civil do Rio informou que a Corregedoria-Geral da corporação instaurou uma investigação disciplinar para apurar os fatos e que não compactua com eventuais desvios de conduta.
Em nota, o Coaf informou que os dados, informações e análises contidos nos Relatórios de Inteligência Financeira são protegidos por sigilo e que o órgão não conduz investigações, limitando-se à produção e ao compartilhamento de inteligência financeira com as autoridades competentes.



