RJ concentra dois em cada 10 atendimentos do SUS por explosivos
Levantamento exclusivo considera atendimentos ambulatoriais e internações na rede pública de saúde; autoridades investigam avanço do uso de drones com granadas por criminosos

O Rio de Janeiro concentra quase dois em cada 10 atendimentos do SUS (Sistema Único de Saúde) por explosões ou acidentes envolvendo explosivos. O levantamento exclusivo obtido pelo blog considera registros do Sistema Único de Saúde entre janeiro e maio de 2026.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, nos cinco primeiros meses deste ano foram registrados 33 atendimentos ambulatoriais no estado do Rio. O número representa 18,4% dos casos registrados pela Rede SUS em todo o país no mesmo período, que somaram 179 atendimentos.
No mesmo intervalo, a Rede SUS registrou ainda 47 internações no Rio de Janeiro e 515 em todo o Brasil decorrentes de explosões ou acidentes envolvendo explosivos.
Em 2025, as unidades de saúde do estado contabilizaram 101 atendimentos ambulatoriais relacionados a esse tipo de ocorrência, o equivalente a 27% dos registros do país no período — ou seja, cerca de três em cada 10 casos. No ano passado, também foram registradas 108 internações no Rio e 1.042 em todo o Brasil.
Os dados ajudam a ampliar o debate sobre a escalada do uso de artefatos explosivos por organizações criminosas no estado.
Levantamento produzido pelo blog mostra que, desde o primeiro registro de lançamento de explosivo por drone, há dois anos, na zona Norte do Rio, criminosos vêm aprimorando os artefatos lançados remotamente por aeronaves não tripuladas. Especialistas associam essa evolução à adaptação de técnicas empregadas em conflitos internacionais, como a Guerra da Ucrânia.
Criminosos adaptam técnicas da Guerra da Ucrânia ao uso de drones no Rio
As chamadas “bombas caseiras” são produzidas com perclorato — substância química utilizada na fabricação de fogos de artifício — e podem conter pregos em seu interior, aumentando o potencial de causar ferimentos. Há ainda registros de uso de explosivos de maior poder destrutivo, produzidos com substâncias químicas submetidas a controle rigoroso no Brasil.
Segundo levantamento feito a partir de reportagens da CNN Brasil, nos últimos dois anos, o Esquadrão Antibomba da CORE (Coordenadoria de Recursos Especiais) foi acionado ao menos 11 vezes para analisar ocorrências envolvendo granadas lançadas por drones. Entre os casos estão ataques que atingiram casas de moradores, uma igreja e uma creche municipal no Jardim América, na zona Norte do Rio.
Investigações em andamento na Polícia Civil do Rio de Janeiro apuram se criminosos do estado viajaram ao Leste Europeu para aprender técnicas utilizadas em cenários de guerra.
Um dos casos investigados envolve o traficante do Comando Vermelho Philipe Marques Pinto, que apareceu em vídeos divulgados no ano passado portando um fuzil AK-47 durante a Guerra da Ucrânia.



