Renan Santos: governo Trump tenta "aprontar" e ajudar Flávio
Candidato do Missão afirma que não se pode aceitar ingerência externa em processo eleitoral: "É humilhante e não somos uma República das Bananas"

O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, disse à CNN que o governo de Donald Trump tenta "aprontar e gerar dúvida" no processo eleitoral brasileiro como uma forma de ajuda ao discurso do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Para ele, não se pode aceitar qualquer tipo de ingerência externa e agir como se o país fosse "uma República das Bananas".
Renan gravou um vídeo em resposta à notícia, divulgada pelo jornal americano The Washington Post, de que dois altos funcionários do Departamento de Estados planejavam viagem ao Brasil para preparar um ataque às urnas e ao sistema eleitoral.
Conforme noticiou a CNN, o Itamaraty negou os pedidos de visto para Riley Barnes e Samuel Samson. Barnes é secretário-assistente para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado. Samson é subsecretário-assistente. Ambos respondem a Marco Rubio, um dos principais auxiliares de Trump e aliado de Flávio em Washington.
"O governo americano resolveu questionar o funcionamento das urnas no Brasil e da própria democracia americana. Logo o governo americano. Os EUA têm um sistema eleitoral bizarro: morto vota, pode-se comparecer a uma sessão eleitoral sem documento e terminar votando, a ponto de a própria turma do Trump estar questionando os métodos internos deles", rebateu o candidato do Missão.
"Então, se eles mesmo estão com problemas na sua democracia, com que direito vêm aqui interferir na nossa? E eu sei porque estão fazendo isso: o governo Trump é aliado da família Bolsonaro. Não é nem aliado, é dono da família Bolsonaro. Os Bolsonaros são vassalos dele. E ele vem aqui aprontar, querer causar, para gerar dúvida no nosso processo democrático e tentar facilitar o discurso do Flávio, que é um candidato natimorto", acrescentou Renan.
"Nós não vamos tomar pito nem dos Estados Unidos, nem da União Europeia. que fica mandando suas ONGs nos sabotarem. Os embaixadores americanos têm que ser chamados pelo governo e não podemos aceitar nenhum tipo de interferência nas nossas eleições. Aceitar isso é humilhante pra gente. Não somos uma República das Bananas."
Renan Santos criticou ainda o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu governo pela forma como estão conduzindo o tarifaço aplicado pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
Para ele, o petista faz "cena" e não negocia corretamente com o governo americano, contrariando os interesses do setor produtivo brasileiro.
"Sobra também para o Lula, porque neste instante o governo americano também está tarifando o Brasil, está atacando a agricultura, dizendo que empresário brasileiro contrata trabalhador escravo, que nosso agro só serve para desmatar. Ou seja, hoje o governo americano sabota a gente. E o Lula, em vez de fazer o enfrentamento correto, sentar na mesa e negociar, defender publicamente a nossa agricultura, fica fazendo cena."
A CNN consultou os demais candidatos ou pré-candidatos e suas campanhas para se pronunciar, mas ainda não recebeu retorno.



