Brasil descarta cancelar visto de integrantes da gestão Trump
Para governo brasileiro, responder na mesma moeda que os Estados Unidos seria uma “armadilha”
O governo brasileiro decidiu que não responderá às sanções aplicadas pelos Estados Unidos a autoridades brasileiras na mesma moeda.
Nesta quarta-feira (13), o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou a suspensão de vistos de dois integrantes do governo brasileiro que tiveram participação na execução do programa Mais Médicos.
A CNN apurou que, ao menos por enquanto, está descartada a hipótese de o Brasil "espelhar" a reação de suspender vistos de autoridades norte-americanas.
Essa estratégia será mantida mesmo que os EUA proíbam a entrada no país de autoridades como ministros de Estado e a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), conforme tem circulado em rodas bolsonaristas, mas ainda sem confirmação oficial.
Caso isso se concretize, as reações que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja ocorrerão por meio de notas ou menções em discursos – como já vem sendo feito – mas nada de forma contundente, para não "cair nas provocações" da Casa Branca, segundo avaliação do entorno do presidente brasileiro.
Encarregado de negócios
O presidente Lula está convencido de que os Estados Unidos tentam cavar uma expulsão, por parte do governo brasileiro, do encarregado de negócios da embaixada americana em Brasília, Gabriel Escobar.
Ele ocupa o mais alto posto na representação diplomática dos EUA já que, neste mandato, Trump não indicou um embaixador para representar o país no Brasil.
No raciocínio do presidente, trata-se de um pretexto para que a embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, em contrapartida, também seja expulsa do território estadunidense.
Sob comando de Escobar, a embaixada norte-americana costuma traduzir e publicar notas enviadas por autoridades da gestão Trump com ameaças e provocações ao governo e ao judiciário brasileiros.
Por isso, na semana passada o Ministério das Relações Exteriores chamou Escobar para prestar esclarecimentos. Ele argumentou que é obrigado a seguir esta orientação de replicar algumas notas contra o Brasil.
Assimetria de armas
O governo Lula compreende a batalha com os Estados Unidos como uma guerra com assimetria de armas em que, sob todos os aspectos, o Brasil é a parte mais fraca.
Diante disso, os estrategistas brasileiros trabalham para sedimentar a mensagem de que os ataques de Trump ao Brasil são injustificados - tanto no tarifaço de 50% quanto nas sanções a autoridades.
Com isso, mesmo que mais frágil, a arma mais eficaz que Lula tem em mãos é apresentar o Brasil como parte agredida tanto à comunidade internacional quanto ao público interno.
Segundo avaliações internas, este objetivo tem sido alcançado. E é justamente para manter esta imagem - e também não aumentar ainda mais as sanções - que o Brasil calibra suas reações, tentando evitar cair em provocações.



