Comitiva nos EUA é encarada como "sinal político" pelo governo
Viagem de parlamentares brasileiros aos Estados Unidos é considerada ineficaz para reverter tarifas, mas traz benefícios políticos ao mostrar união nacional
A comitiva de senadores brasileiros que viajará aos Estados Unidos para negociar as tarifas impostas ao Brasil é vista com ceticismo pelo governo brasileiro quanto à sua eficácia nas negociações comerciais. A expectativa de reversão das tarifas de 50% sobre produtos brasileiros é praticamente nula, conforme avaliação de auxiliares próximos.
A ineficácia da missão é justificada pelo fato de que os senadores se reunirão apenas com parlamentares americanos, sem acesso direto aos tomadores de decisão da Casa Branca. Mesmo o Tesouro dos Estados Unidos tem encontrado dificuldades para influenciar nessas decisões tarifárias.
Apesar da baixa expectativa em termos comerciais, a viagem carrega significativo valor político. A iniciativa busca contrapor a presença de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e demonstrar proatividade por parte dos parlamentares governistas em relação ao tema.
A composição da comitiva é vista como especialmente relevante, reunindo parlamentares de diferentes espectros políticos. O grupo inclui tanto progressistas quanto ex-ministros do governo anterior, como Tereza Cristina e Marcos Pontes, além do líder do governo no Senado, Jacques Wagner.
Para o governo brasileiro, essa união de diferentes forças políticas em torno de uma causa nacional representa uma vantagem significativa, especialmente por se tratar de uma questão que teria sido originada em gestões anteriores. A demonstração de unidade é considerada um ganho político importante, mesmo que a missão não alcance seus objetivos comerciais.



