Edilene Lopes
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Edilene Lopes

Jornalista e cientista política, analista da Rádio Itatiaia e da CNN Brasil. Mineira em Brasília, ganhou o Troféu Imprensa e o + Admirados.

Denúncias de assédio eleitoral chegam a quase 3 mil, diz MPT

Órgão faz força-tarefa para identificar casos nas redes sociais; 658 denúncias foram registradas após o segundo turno

O MPT (Ministério Público do Trabalho) contabilizou 2.595 denúncias de assédio eleitoral ao longo do ano até esta quarta-feira (28). Desse total, 658 foram registradas após o segundo turno das eleições, realizado no último domingo (25). Os números mostram que as denúncias continuam chegando ao órgão mesmo depois do encerramento da votação.

O MPT mobilizou uma força-tarefa de procuradores para identificar práticas discriminatórias contra trabalhadores, principalmente nas redes sociais. O órgão também está ajuizando ações civis públicas para interromper essas condutas e pedir indenizações aos responsáveis.

“Estamos com uma força-tarefa de procuradores do trabalho que estão recebendo as denúncias que podem ser feitas pelo site mpt.mp.br e estamos ajuizando ações civis públicas com obrigação de não fazer para cessar qualquer ato discriminatório nas redes sociais e nos meios de comunicação”, afirmou o procurador-geral do Trabalho, Glaucio Araújo de Oliveira.

Segundo o procurador, o MPT também está solicitando à Justiça do Trabalho indenizações proporcionais à gravidade dos atos discriminatórios.

“É inconcebível em um país que tem um Estado democrático atos de discriminação em razão de convicção política de trabalhador eleitor”, declarou.

São Paulo lidera o número de denúncias, com 471 registros, seguido por Minas Gerais (251), Paraná (239), Rio de Janeiro (196) e Santa Catarina (134). Na sequência aparecem Rio Grande do Sul (132), Distrito Federal (115), Pará (106), Bahia (103) e Goiás (95).

As 658 denúncias recebidas depois do segundo turno representam aproximadamente 25% do total registrado ao longo do ano.

Entre as situações que podem configurar assédio eleitoral estão ameaças de demissão, constrangimentos, intimidações e discriminação de trabalhadores em razão de suas preferências políticas.

Glaucio Araújo de Oliveira destaca que as medidas judiciais também têm caráter preventivo e buscam impedir a repetição das práticas discriminatórias.

“Então as nossas ações na Justiça do Trabalho vão buscar de forma pedagógica, preventiva, anular qualquer prática discriminatória ou decorrente de opção política”, afirmou.

Boicotes a estabelecimentos comerciais

A organização de boicotes a estabelecimentos comerciais por motivos políticos também pode ser objeto de apuração, dependendo das circunstâncias. Segundo Glaucio Araújo de Oliveira, cabe ao MPE (Ministério Público Eleitoral) verificar se a conduta configura crime eleitoral.

A manifestação pacífica de preferência política e a decisão individual de não consumir em determinado estabelecimento, por si sós, não configuram necessariamente crime. A situação pode ser diferente quando há ameaças, coação ou outras práticas ilícitas.

As denúncias de discriminação contra trabalhadores podem ser feitas pelo site do órgão.