Elijonas Maia
Blog
Elijonas Maia

Maranhense radicado em Brasília, cobre investigações policiais e os bastidores da segurança pública há 15 anos

Centro especializado no DF apoiou mais de 900 mulheres a denunciar agressor

Saldo leva em conta dois anos de operação do Copom Mulher; especialistas apontam acolhimento como fundamental para o encorajamento

Compartilhar matéria

O Copom Mulher, Centro de Operações da Polícia Militar voltado para o registro de ocorrências de violência contra a mulher no Distrito Federal, completa dois anos de existência nesta semana com números importantes no combate à violência doméstica.

Desde a sua criação até hoje, o programa realizou atendimento especializado a 3.912 mulheres em situação de violência que inicialmente não pretendiam registrar a ocorrência. Como resultado, 927 mulheres decidiram formalizar o registro policial após o atendimento, conforme números obtidos pela CNN Brasil.

Especialistas apontam que o acolhimento no momento da ligação de pedido de ajuda é fundamental para encorajar a mulher a registrar o crime. Com o registro, há uma investigação e eventual abertura formal de processo contra o suspeito.

A iniciativa foi inédita e pioneira no Brasil ao realizar contato telefônico com mulheres em situação de violência doméstica para prestar acolhimento, orientação especializada e sensibilização para o registro da ocorrência.

O programa foi criado após pesquisa realizada pela Secretaria de Segurança Pública do DF, com dados referentes ao período de 2015 a 2023, que revelou que aproximadamente 70% das mulheres vítimas de feminicídio não tinham registrado boletim de ocorrência.

Na prática, os policiais militares do Copom Mulher realizam diariamente a análise de todas as ocorrências de violência doméstica atendidas pela PM do Distrito Federal, promovendo uma busca ativa das mulheres em situação de violência sempre que identificada a necessidade de atendimento especializado.

Além disso, quando, durante a atuação da equipe no local, a mulher em situação de violência manifesta a intenção de não registrar a ocorrência, a equipe policial comunica imediatamente a central, que aciona o Copom Mulher para realizar o atendimento especializado.

Caso a mulher ainda mantenha a decisão de não registrar, o atendimento não se encerra: os casos são encaminhados ao Centro de Políticas de Segurança Pública, responsável pelo direcionamento ao Policiamento de Prevenção Orientado à Violência Doméstica e Familiar (Provid), assegurando acompanhamento preventivo e inserção na rede de proteção.

Autoridades policiais apontam que a diminuição dos números de violência doméstica e feminicídios no Distrito Federal também perpassam esse projeto.

O DF teve 11 registros de feminicídio no primeiro semestre deste ano ante 13 casos no mesmo período do ano passado. Em 2024, foram 23 mulheres vítimas de feminicídio em todo o ano. No ano anterior, foram 34 casos.