Elijonas Maia
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Maranhense radicado em Brasília, cobre investigações policiais e os bastidores da segurança pública há 15 anos

“Fuminho”, número 2 do PCC, é internado em hospital de Brasília

Braço-direito de Marcola foi escoltado por 200 policiais durante transferência; ele já voltou para penitenciária após procedimento

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O traficante Gilberto Aparecido dos Santos, conhecido como “Fuminho” e apontado como o número 2 na hierarquia do PCC (Primeiro Comando da Capital), foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para um hospital particular sob forte esquema de segurança.

A transferência, na tarde deste domingo (17), teve a participação de 200 policiais das esferas federal e do Distrito Federal.

Segundo apuração da CNN Brasil, Fuminho foi transferido para uma cirurgia classificada como necessária por problema de saúde, eletiva e não emergencial. Ele esteve no hospital e a região no centro de Brasília foi isolada nesta segunda-feira (18).

Ainda na segunda, Fuminho foi levado de volta para a penitenciária após realização do procedimento.

Quem é Fuminho?

Fuminho é o principal aliado de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, no tráfico internacional de drogas do PCC.

Ele fugiu do Carandiru em 1999 e só foi recapturado 20 anos depois, ao ser preso pela Polícia Federal em Moçambique, no continente africano, em 2020.

Investigações da Operação Mafiusi descobriram que, na época, o PCC montou uma operação avaliada em US$ 2 milhões para resgatar Fuminho da cadeia em Maputo, capital de Moçambique.

Fuminho foi condenado a 26 anos de prisão em regime inicial fechado. Desde que foi preso, cumpriu uma série de atividades para obter descontos nas penas, como leituras e resenhas, aulas de inglês, cursos profissionalizantes e a conclusão do ensino fundamental.

Quando estava foragido, Fuminho, segundo investigações, recebeu R$ 200 milhões da facção para resgatar o líder máximo do PCC da Penitenciária Federal de Brasília, onde Marcola está preso desde 2019, quando fora transferido da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no interior paulista.

À época, o Gaeco (Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado), do MPSP (Ministério Público de São Paulo), anunciou a descoberta de um plano para resgatar Marcola e outros 21 líderes do PCC, que estavam na P2 de Presidente Venceslau e também em Presidente Bernardes, ambas no interior paulista.

Pouco tempo depois, em março de 2019, a pedido do promotor Lincoln Gakiya, Marcola e os 21 líderes foram transferidos para presídios federais em Brasília e Porto Velho.

Outro lado

Em nota, a defesa de "Fuminho" nega as alegações das autoridades. Veja a nota na íntegra abaixo: 

"O Sr. Gilberto Aparecido dos Santos não integra nem jamais integrou organização criminosa. A afirmação de que seria "número 2 do PCC" é falsa. A construção midiática de suposta fuga por 20 anos não encontra respaldo. Não houve fuga em 1999, e não há mandado de prisão em aberto, ressalvada a prisão cautelar vigente, oriunda de São Paulo. O processo não transitou em julgado, estando recurso da defesa em análise no Superior Tribunal de Justiça.

Ainda, se consigna que o Sr. Gilberto Aparecido dos Santos não figura como investigado, denunciado ou acusado em qualquer procedimento relacionado à Operação Mafiusi, tampouco em apurações sobre supostos planos de fuga. Em momento algum foi requisitado por autoridades policiais para prestar esclarecimentos sobre tais ilações.

O Sr. Gilberto Aparecido dos Santos enfrenta neoplasia maligna (câncer). Após nove meses de espera e atuação defensiva perante o TRF1 para garantir acesso à saúde, foi submetido a cirurgia oncológica em 17/05/2026. A demora injustificada do Estado agravou seu quadro clínico, com alto risco de metástase irreversível.

As acusações veiculadas carecem de qualquer suporte jurídicoprobatório, podendo esta instituição jornalística diligenciar perante as autoridades competentes para o acesso a documentos oficiais de investigações formalmente instauradas, cujo teor a defesa desconhece, uma vez que as referidas ilações se fundamentam exclusivamente em relatórios unilaterais da administração pública, desprovidos do crivo do contraditório.

A defesa reafirma seu compromisso com a verdade e com a defesa intransigente dos direitos fundamentais de seu cliente."