Desaparecimento de crianças completa 4 meses sem respostas
Irmãos de 4 e 6 anos desapareceram misteriosamente em janeiro no Maranhão; família cobra solução das autoridades

O misterioso desaparecimento de Ágatha Isabelly, 6 anos, e Allan Michael, 4, completou, nesta semana, quatro meses. Os irmãos sumiram na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal (MA), após saírem para brincar.
Tráfico humano, sequestro, ataque de animal e afogamento são algumas das linhas investigadas pela força-tarefa Operação Bacabal, que mobilizou nove equipes simultâneas nos primeiros meses.
As buscas ocorreram em frentes terrestre, aérea e aquática. Apesar da mobilização, o caso segue sem solução, desafia as autoridades e angustia a família das crianças.
A CNN Brasil entrou em contato e pediu um posicionamento da secretária de Segurança do Maranhão, coronel Augusta, mas não obteve retorno.
Em nota, a pasta detalhou que o inquérito ainda não foi concluído, que “a Polícia Civil segue com os trabalhos investigativos por meio de uma comissão especialmente constituída para esse fim, não sendo possível, até o momento, apontar circunstâncias, responsabilidades ou conclusões definitivas sobre o caso”.
“A Secretaria reitera que permanece empenhada na elucidação dos fatos, destacando que todas as informações relacionadas ao caso são devidamente checadas e que todas as medidas necessárias continuam sendo adotadas para o completo esclarecimento dos fatos.”
A reportagem apurou que nos bastidores da investigação, os agentes suspeitam que as crianças tenham sido sequestradas para tráfico humano. A PF (Polícia Federal), no entanto, não foi procurada para ajudar no caso.
Nos dias posteriores ao desaparecimento, apenas o primo dos irmãos, Anderson Kauã, de 8 anos, foi encontrado com vida. Ele disse que se perdeu dos demais na mata.
Segundo a SSP-MA, a área vasculhada é extensa e de difícil acesso, com mata fechada, lagos e trilhas naturais, além da presença de animais silvestres. Equipes especializadas utilizaram helicópteros, drones com sensores térmicos, cães farejadores e equipamentos de mapeamento subaquático, como o side scan sonar, para percorrer 19 km do leito do Rio Mearim.
A força-tarefa contou com apoio da população local e percorreu toda a área indicada na investigação, sem encontrar vestígios de Ágatha e Allan.
Enquanto a SSP diz que a investigação segue, a família de Ágatha e Allan ainda aguarda uma resposta concreta das autoridades sobre o caso.
Linha do tempo do caso
- 4 de janeiro de 2026 - Ágatha, Allan e o primo Anderson saem para brincar no quilombo São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, região do Médio Mearim. As crianças desaparecem, dando início às buscas;
- 5 de janeiro - A mãe, o padrasto e a avó das crianças prestam depoimento na Delegacia de Bacabal e são liberados;
- 7 de janeiro - Anderson Kauã é encontrado com vida por três produtores rurais no povoado Santa Rosa, cerca de 4 km do ponto onde as crianças foram vistas pela última vez. Ele é encaminhado ao Hospital Geral de Bacabal;
- 11 de janeiro - Voluntários encontram peças de roupa infantil em uma área de mata no quilombo São Sebastião dos Pretos. A SSP-MA (Secretaria de Estado da Segurança Pública) confirma, no dia seguinte, que os itens não pertencem às crianças desaparecidas;
- 13 de janeiro - O governo do Maranhão informa que Anderson não sofreu violência sexual;
- 20 de janeiro - Anderson Kauã tem alta médica, colabora pessoalmente nas buscas e indica às autoridades o caminho percorrido com os primos até a cabana abandonada, conhecida como “casa caída”, próxima às margens do Rio Mearim;
- 24 de janeiro - A Polícia Civil de São Paulo investiga uma denúncia de que as crianças teriam sido vistas em um hotel no bairro da República, centro de São Paulo;
- 26 de janeiro - A polícia paulista confirma que as crianças vistas no hotel não são Ágatha e Allan;
- 28 de janeiro - Em meio à disseminação de mensagens falsas, o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, reforça que todas as informações são verificadas com rigor técnico e que a principal linha de investigação é a de que as crianças possam estar perdidas na mata, embora nenhuma hipótese tenha sido descartada.



