Elijonas Maia
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Elijonas Maia

Maranhense radicado em Brasília, cobre investigações policiais e os bastidores da segurança pública há 15 anos

Interpol trabalha com polícias locais para rastrear bens no exterior

Chefe do organismo internacional explica à CNN como funciona o bloqueio de patrimônio, como no caso de Daniel Vorcaro, que teve bens identificados pela PF fora do Brasil

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Quando os bens de um investigado são encontrados com base na Difusão Prateada da Interpol e no trabalho de inteligência da PF (Polícia Federal), começa-se uma nova etapa na investigação: o pedido de bloqueio.

A solicitação, no entanto, não é rápida tampouco imediata. É necessário um trâmite dentro da cooperação jurídica internacional, como explica o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, à CNN.

“Trabalhamos com a polícia local para confirmar a localização [do bem]. Uma vez confirmada, o país que solicitou a difusão terá que fazer o pedido pela via da cooperação jurídica”, destaca o chefe da rede mundial de polícias.

Na sexta-feira (31), a CNN detalhou que a PF identificou bens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro fora do Brasil no âmbito das cooperações policial e jurídica internacional com as quais trabalha para rastrear patrimônio do investigado no exterior.

Até o momento, a lista levantada pela PF cita uma mansão e um iate. Os bens são avaliados em cerca de R$ 500 milhões. As apurações correm em relação a patrimônio nos Estados Unidos e na Alemanha.

A PF pediu a inclusão do nome de Vorcaro na Difusão Prateada da Interpol com o objetivo de rastrear os bens em todos os 196 países que fazem parte do organismo internacional.

Dessa forma, segundo Urquiza, quando se tem a localização do bem, o trabalho passa a ser junto a polícia local.

Integrantes do Ministério da Justiça brasileiro também explicam que após a identificação dos bens vem a parte do bloqueio e isso depende da Justiça de cada país. O procedimento é o mesmo na terceira etapa, que é de repatriação do patrimônio — ou a perda dos bens.

A devolução dos recursos é um elemento de impasse na recusa da PF às tentativas de colaboração premiada por parte de Vorcaro. A corporação aponta que as fraudes do Banco Master chegariam a cerca de R$ 40 bilhões e parte do dinheiro foi para fora do Brasil, mas o ex-banqueiro não estaria disposto a devolver sua totalidade.