Expectativa é que Apple volte a inovar
John Ternus assume comando da Apple após saída de Tim Cook; analista aponta desafios e oportunidades na nova fase da empresa
A Apple inicia uma nova era com a troca de comando da companhia. Tim Cook se despede do cargo após quase 15 anos à frente da empresa, deixando um legado marcado por avaliações de mercado recordes e pela construção da maior máquina de geração de fluxo de caixa livre da história do capitalismo.
John Ternus, que até então ocupava a posição de vice-presidente sênior de engenharia de hardware, assume agora o comando da companhia. Tim Cook, por sua vez, passa a atuar como presidente executivo do conselho de administração.
Em carta de despedida, Cook agradeceu aos funcionários e destacou o sucesso colaborativo de sua gestão.
Desafios da nova gestão
A escolha de um engenheiro para liderar a Apple é uma sinalização clara de que a empresa quer retomar o caminho da inovação. Eles não pegaram um diretor financeiro, não pegaram um diretor de operações, pegaram um diretor de engenharia.
Ternus é apontado como o responsável pelo desenvolvimento dos chips próprios da Apple, quando a empresa deixou de utilizar chips de terceiros e passou a produzir os seus.
Entre os principais desafios que aguardam o novo comando, há três frentes críticas: a gestão das relações com a China em meio às pressões para que a produção retorne aos Estados Unidos, a entrada na corrida da inteligência artificial — área em que a Apple investe significativamente menos do que seus concorrentes — e a manutenção do robusto fluxo de caixa livre, que atingiu US$ 137 bilhões no último ano.
Inovação em pauta
Desde o lançamento do Apple Watch em 2015, a empresa não apresentou nenhuma grande reviravolta em termos de produtos. O Vision Pro, óculos de realidade virtual lançado recentemente, não obteve a adesão esperada pelo mercado.
O insucesso do produto não foi exclusivamente uma falha da Apple, mas reflexo de uma tendência que não se consolidou entre os consumidores. A empresa também encerrou um projeto de carro autônomo no qual havia investido cerca de US$ 10 bilhões.
No campo da inteligência artificial, a Apple optou por não desenvolver internamente um grande modelo de linguagem concorrente da Siri, terceirizando essa função para o Google e seu sistema Gemini.
A chegada de um engenheiro ao topo da hierarquia representa uma aposta na retomada da cultura de inovação que marcou os primórdios da companhia. Agora, é uma sinalização muito forte de que a Apple quer voltar a inovar.



