Shein chega à bolsa com menos crescimento e mais custos
Avaliada em US$ 100 bilhões em 2022, empresa enfrenta altos custos operacionais e baixa fidelidade de clientes
A Shein fez sua estreia na Bolsa de Hong Kong com valor de mercado de aproximadamente US$ 27 bilhões, número muito abaixo dos US$ 100 bilhões pelos quais a empresa chegou a ser avaliada em 2022.
O resultado surpreende especialmente por ocorrer em um momento em que a companhia registra receita recorde e conta com uma base de 273 milhões de clientes ao redor do mundo.
A explicação para essa discrepância está no resultado operacional da empresa. Mesmo faturando mais que a Zara, ela vale 10 vezes menos. Enquanto a Zara gera cerca de US$ 8 bilhões em resultado operacional sobre um faturamento de US$ 40 bilhões, a Shein produz apenas US$ 1,7 bilhão.
Custos elevados e baixa fidelidade comprometem margens
Dois fatores principais explicam a margem reduzida da Shein. O primeiro é o alto custo de aquisição de clientes: o consumidor médio da plataforma realiza cerca de quatro compras por ano, e a cada transação a empresa precisa investir em tráfego pago para trazê-lo de volta.
O segundo fator é o baixo ticket médio, que eleva proporcionalmente os custos de logística.
Outro ponto a se destacar é que concorrentes como a Temu conseguem replicar o modelo de negócio da Shein e praticar preços semelhantes, o que fragiliza a posição da empresa.
O cliente da Shein não gosta da Shein. Gosta da roupa barata. Se a Temu amanhã tiver uma roupas mais barata, os clientes migrarão para a Temu.
Barreiras regulatórias e questões de ESG pesam no IPO
A desvalorização também tem relação com as dificuldades enfrentadas pela Shein para realizar seu IPO em outros mercados. A empresa tentou abrir capital tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, mas foi bloqueada em ambos os casos.
As razões incluem denúncias de trabalho forçado, impacto ambiental relacionado ao uso de microplásticos e a ausência de certificações ESG, o que impede que grandes investidores institucionais participem da empresa.
Apesar disso, nomes como Goldman Sachs e General Atlantic constam entre os investidores da Shein. O mercado financeiro tem se mostrado cada vez mais tolerante com empresas sem certificação ESG, mas segue rigoroso quanto à eficiência operacional.
O grande desafio da Shein daqui em diante será utilizar os recursos captados no IPO para construir diferenciação de marca. Vai demorar um pouco para ela conseguir construir esse espaço mental que a Zara e a H&M estão construindo há 30 anos na cabeça do consumidor.



