Investimento em Data Center é corrida do ouro
Nvidia reduz garantia financeira ao projeto da OpenAI em Ohio após pressão de investidores preocupados com exposição do balanço
A Nvidia confirmou o fornecimento de garantias financeiras para o campus de data center da OpenAI em Ohio, nos Estados Unidos. No entanto, o valor garantido foi reduzido para menos de US$ 120 bilhões, bem abaixo dos US$ 250 bilhões previstos anteriormente, em resposta a preocupações dos investidores sobre a exposição do balanço da companhia.
Fernando Miranda pontua que a Nvidia atua como uma espécie de fiadora de um projeto que ainda não se mostrou rentável. "A Nvidia tem só US$ 60 bilhões em caixa. Então, se a OpenAI der errado no meio do caminho, a Nvidia precisará arcar com os US$ 100 bilhões da OpenAI", afirmou.
Segundo ele, foi exatamente essa exposição que derrubou as ações da empresa e fez com que ela perdesse o posto de companhia mais valiosa do mundo para a Apple.
Corrida do ouro nos data centers
Para além do caso específico da Nvidia e da OpenAI, Miranda destacou a magnitude dos investimentos globais em infraestrutura de data centers. Segundo ele, somente nos Estados Unidos, os aportes nesse setor devem chegar a US$ 700 bilhões neste ano.
Considerando também a China, o total global deve ultrapassar um trilhão de dólares. "Realmente, é uma corrida do ouro que está acontecendo aqui agora. É uma coisa que nunca se viu antes, um investimento desse tamanho", declarou o colunista.
Miranda ressaltou que as empresas do setor enfrentam um paradoxo: a demanda por seus serviços já supera a capacidade de produção disponível. O caso da Amazon foi citado como exemplo: a empresa registrou um dos piores anos em geração de fluxo de caixa, mas um dos melhores em receita, justamente porque não consegue construir data centers rápido o suficiente para atender à procura por Amazon Web Services.
Rentabilidade e riscos do setor
Sobre os modelos de negócio, Miranda apontou que o grande potencial de geração de caixa não está nos serviços voltados ao consumidor final, mas na venda de tokens para empresas no modelo B2B. Como exemplo, citou a Anthropic, que, apesar de ter menos usuários premium do que a OpenAI, gera mais caixa por ter sido adotada por um maior número de empresas como agente de inteligência artificial.
O colunista também alertou para um risco relevante: a possibilidade de concorrentes chineses oferecerem modelos de IA de qualidade comparável a um custo muito menor. Miranda mencionou o modelo Kimi K3, que, segundo ele, entrega cerca de 95% do desempenho dos melhores modelos ocidentais por um custo significativamente inferior.
"O que me entristece é não estamos vendo nada da Europa e não estamos vendo nada de América Latina. Parece que é realmente uma guerra fria da IA", afirmou.
Apesar das incertezas, Miranda foi categórico ao afirmar que o investimento em infraestrutura de data centers deixará um legado duradouro.
"Estamos construindo nesse momento a infraestrutura que vai sustentar a humanidade pelos próximos 20, 30 anos", disse. No entanto, ponderou que, historicamente, quem constrói a infraestrutura de uma nova era tecnológica nem sempre é quem colhe os maiores frutos no longo prazo.



