Fernando Miranda
Blog
Fernando Miranda

Sócio e conselheiro da V4 Company e CEO da Staage. Atuou em grandes empresas como Banco do Brasil e XP, além de ter sido Head de Marketing do InfoMoney e CMO da EXAME

Investimento em Data Center é corrida do ouro

Nvidia reduz garantia financeira ao projeto da OpenAI em Ohio após pressão de investidores preocupados com exposição do balanço

Compartilhar matéria

A Nvidia confirmou o fornecimento de garantias financeiras para o campus de data center da OpenAI em Ohio, nos Estados Unidos. No entanto, o valor garantido foi reduzido para menos de US$ 120 bilhões, bem abaixo dos US$ 250 bilhões previstos anteriormente, em resposta a preocupações dos investidores sobre a exposição do balanço da companhia.

Fernando Miranda pontua que a Nvidia atua como uma espécie de fiadora de um projeto que ainda não se mostrou rentável. "A Nvidia tem só US$ 60 bilhões em caixa. Então, se a OpenAI der errado no meio do caminho, a Nvidia precisará arcar com os US$ 100 bilhões da OpenAI", afirmou.

Segundo ele, foi exatamente essa exposição que derrubou as ações da empresa e fez com que ela perdesse o posto de companhia mais valiosa do mundo para a Apple.

Corrida do ouro nos data centers

Para além do caso específico da Nvidia e da OpenAI, Miranda destacou a magnitude dos investimentos globais em infraestrutura de data centers. Segundo ele, somente nos Estados Unidos, os aportes nesse setor devem chegar a US$ 700 bilhões neste ano.

Considerando também a China, o total global deve ultrapassar um trilhão de dólares. "Realmente, é uma corrida do ouro que está acontecendo aqui agora. É uma coisa que nunca se viu antes, um investimento desse tamanho", declarou o colunista.

Miranda ressaltou que as empresas do setor enfrentam um paradoxo: a demanda por seus serviços já supera a capacidade de produção disponível. O caso da Amazon foi citado como exemplo: a empresa registrou um dos piores anos em geração de fluxo de caixa, mas um dos melhores em receita, justamente porque não consegue construir data centers rápido o suficiente para atender à procura por Amazon Web Services.

Rentabilidade e riscos do setor

Sobre os modelos de negócio, Miranda apontou que o grande potencial de geração de caixa não está nos serviços voltados ao consumidor final, mas na venda de tokens para empresas no modelo B2B. Como exemplo, citou a Anthropic, que, apesar de ter menos usuários premium do que a OpenAI, gera mais caixa por ter sido adotada por um maior número de empresas como agente de inteligência artificial.

O colunista também alertou para um risco relevante: a possibilidade de concorrentes chineses oferecerem modelos de IA de qualidade comparável a um custo muito menor. Miranda mencionou o modelo Kimi K3, que, segundo ele, entrega cerca de 95% do desempenho dos melhores modelos ocidentais por um custo significativamente inferior.

"O que me entristece é não estamos vendo nada da Europa e não estamos vendo nada de América Latina. Parece que é realmente uma guerra fria da IA", afirmou.

Apesar das incertezas, Miranda foi categórico ao afirmar que o investimento em infraestrutura de data centers deixará um legado duradouro.

"Estamos construindo nesse momento a infraestrutura que vai sustentar a humanidade pelos próximos 20, 30 anos", disse. No entanto, ponderou que, historicamente, quem constrói a infraestrutura de uma nova era tecnológica nem sempre é quem colhe os maiores frutos no longo prazo.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.
Acompanhe Economia nas Redes Sociais