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    Fernando Nakagawa

    Fernando Nakagawa

    Repórter econômico desde 2000. Ex-Estadão, Folha de S.Paulo, Valor Econômico e Gazeta Mercantil. Paulistano, mas já morou em Brasília, Londres e Madri

    Análise: agora, o grande risco da Petrobras é político

    A grande dúvida sobre a empresa não trata de petróleo, mas do poder das letras: será que as amarras legais vão blindar a empresa do mundo político?

    Análise: agora, o grande risco da Petrobras é político
    Análise: agora, o grande risco da Petrobras é político

    A troca do presidente da maior empresa brasileira coloca novamente a política no centro dos riscos relacionados à Petrobras. Após 499 dias da chegada do atual governo, a saída de Jean Paul Prates é um símbolo de que a atuação da estatal não passa incólume à voracidade de poder vista em Brasília.

    Prates nunca foi uma unanimidade entre analistas e investidores, mas era respeitado pelo histórico no setor de óleo e gás. Fez carreira no segmento, teve uma consultoria e era conhecido de muita gente do mundo do petróleo.

    Ao ser escolhido por Luiz Inácio Lula da Silva, Prates gerou reações mistas ao mostrar conhecimento do setor, mas também ao defender preços “abrasileirados” nos combustíveis.

    A ideia de tropicalizar preços — que nunca foi explicada detalhadamente — era defendida pelo mundo político, e pelo próprio presidente Lula.

    Esse desejo de “abrasileiramento” dos preços era apenas amostra de como o mundo político continuava de olho na mais vistosa entre as estatais.

    Estar na cadeira de presidente da Petrobras permite, por exemplo, influenciar a escolha de preços, direcionar planos de investimento bilionários e indicar centenas a cargos importantes, entre muitas outras possibilidades.

    Com a saída de Prates, chega um caminhão de perguntas que ficará estacionado em frente à sede da estatal. A principal questão não trata de petróleo, energia ou gás.

    A grande dúvida recai sobre o poder das letras.

    Será que as amarras criadas nos últimos governos — como a Lei das Estatais e o estatuto da Petrobras — vão blindar a empresa dos desejos, muitas vezes nada republicanos, do mundo político?