Lula decide antecipar tentativa de desconstruir imagem de Flávio
Presidente segurava ofensiva para evitar substituição de filho do ex-presidente Jair Bolsonaro por Tarcísio de Freitas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu romper com a estratégia de “escantear” o pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro (RJ).
A ideia é que, a partir de agora, Lula faça críticas a Flávio em discursos oficiais, relembrando o que avalia como pontos fracos da gestão anterior, como nas áreas de saúde e economia.
Antes, a estratégia passava por ignorar o filho de Jair Bolsonaro (PL) por dois motivos: evitar dar holofotes ao senador conservador e criar um cenário de que ele fosse substituído pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Por isso, o diagnóstico era de que a ofensiva contra o senador só seria iniciada em abril, quando passaria o período de desincompatibilização, inviabilizando juridicamente uma candidatura presidencial do governador paulista. Isso porque a avaliação da cúpula nacional petista é de que Tarcísio seria um adversário mais difícil de desconstruir no processo eleitoral do que Flávio.
Com a garantia de que não haverá mudança de candidato, e de que a transferência de votos de Jair para Flávio foi mais rápida do que era esperado, Lula decidiu iniciar a estratégia de ataque contra o senador do Rio de Janeiro.
O partido do presidente Lula, o PT, também deve fazer parte da estratégia contra Flávio e, por isso, deve iniciar um processo para relembrar, por meio de vídeos em redes sociais, polêmicas na trajetória do senador, como a compra de uma mansão em Brasília e o suposto esquema de rachadinha no Rio de Janeiro.
O governo petista também deve reforçar a dúvida sobre a tentativa de Flávio de ponderar o discurso, apresentando-se como um moderado, e relembrar que ele defendeu o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Brasil.
As últimas pesquisas eleitorais apontaram um empate técnico entre Lula e Flávio em um segundo turno presidencial, o que gerou a apreensão de assessores presidenciais de que pode não dar tempo de desconstruir a imagem do candidato de direita caso a ofensiva petista seja postergada.



