Gustavo Uribe
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Uribe tem duas paixões: política e café. Cobriu 4 presidentes e 4 eleições presidenciais. E acorda todo dia às 5h da manhã para trazer em primeira mão os bastidores do poder

Lula decide antecipar tentativa de desconstruir imagem de Flávio

Presidente segurava ofensiva para evitar substituição de filho do ex-presidente Jair Bolsonaro por Tarcísio de Freitas

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu romper com a estratégia de “escantear” o pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro (RJ).

A ideia é que, a partir de agora, Lula faça críticas a Flávio em discursos oficiais, relembrando o que avalia como pontos fracos da gestão anterior, como nas áreas de saúde e economia.

Antes, a estratégia passava por ignorar o filho de Jair Bolsonaro (PL) por dois motivos: evitar dar holofotes ao senador conservador e criar um cenário de que ele fosse substituído pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Por isso, o diagnóstico era de que a ofensiva contra o senador só seria iniciada em abril, quando passaria o período de desincompatibilização, inviabilizando juridicamente uma candidatura presidencial do governador paulista. Isso porque a avaliação da cúpula nacional petista é de que Tarcísio seria um adversário mais difícil de desconstruir no processo eleitoral do que Flávio.

Com a garantia de que não haverá mudança de candidato, e de que a transferência de votos de Jair para Flávio foi mais rápida do que era esperado, Lula decidiu iniciar a estratégia de ataque contra o senador do Rio de Janeiro.

O partido do presidente Lula, o PT, também deve fazer parte da estratégia contra Flávio e, por isso, deve iniciar um processo para relembrar, por meio de vídeos em redes sociais, polêmicas na trajetória do senador, como a compra de uma mansão em Brasília e o suposto esquema de rachadinha no Rio de Janeiro.

O governo petista também deve reforçar a dúvida sobre a tentativa de Flávio de ponderar o discurso, apresentando-se como um moderado, e relembrar que ele defendeu o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Brasil.

As últimas pesquisas eleitorais apontaram um empate técnico entre Lula e Flávio em um segundo turno presidencial, o que gerou a apreensão de assessores presidenciais de que pode não dar tempo de desconstruir a imagem do candidato de direita caso a ofensiva petista seja postergada.