Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

PL projeta crescimento de Flávio em tour pelo país após empate com Lula

Sigla aposta em tornar senador mais conhecido para reduzir rejeição

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Após a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg apontar, pela primeira vez, empate técnico entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, o PL já projeta o crescimento do filho primogênito de Jair Bolsonaro (PL) nos próximos levantamentos.

O cálculo de integrantes da pré-campanha do senador é que os números devem melhorar a partir do momento em que Flávio começar a rodar os estados para se apresentar pessoalmente. Ainda não há data definida para o início das viagens.

O levantamento AtlasIntel/Bloomberg apontou que Lula é rejeitado por 48,2% dos eleitores, 1,8 ponto percentual à frente dos 46,4% registrados por Flávio.

A avaliação é que Flávio acumula parte da rejeição do pai pelo sobrenome, mas tem espaço para diminuir a resistência ao se apresentar como integrante do clã mais moderado e de mais fácil diálogo com a política.

O risco admitido aqui por aliados é o efeito contrário: aumentar a aversão na mesma proporção em que ele se torna mais conhecido.

Desde que foi confirmado, no fim do ano, como candidato do PL, Flávio passou mais tempo fora do país, em viagem pelos Estados Unidos, Europa e Oriente Médio, do que em agendas de pré-campanha no Brasil.

No retorno ao Brasil, o senador também tem se dedicado a atuar como resolvedor de conflitos internos dentro do próprio PL, como os embates do irmão Eduardo Bolsonaro com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Nesta quarta-feira (25), ele pediu união em um encontro com deputados e senadores do partido, em Brasília.

Quando der início ao tour pelo país, o esforço de Flávio será tentar convencer o eleitorado de que ele traz o DNA de Bolsonaro, mas não é o próprio pai nem integrante da ala mais radicalizada da direita.

Por enquanto, o senador tem feito acenos nas redes sociais aos moderados. Nesta semana, em meio aos atritos no partido, Flávio fez uma publicação no X pedindo apoio a “todas, todos, todes, todys e todXs”. A linguagem neutra é alvo de críticas de parte dos eleitores da direita.

Após as críticas ao desfile da Acadêmicos de Niterói, que representou famílias em uma "lata de conserva", o pré-candidato ao Planalto também gravou um vídeo citando Rio, São Paulo, Pernambuco, Bahia e Minas Gerais, afirmando que o Carnaval é "uma das festas mais populares do planeta" e elogiando os trabalhadores.

"Carnaval não é só festa, é muito trabalho também. É um exemplo de como o Brasil pode ser criativo e fazer muito mesmo com pouco", disse Flávio, afirmando que passou o feriado com a família e que o Carnaval é "espaço para todo mundo".

Em outra frente, Flávio apresentou nesta quarta-feira uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) pelo fim da reeleição, uma de suas bandeiras como pré-candidato. O texto ainda está em fase de coleta de assinaturas e conta com o apoio de 14 parlamentares.

“Protocolei uma proposta para confirmar aquilo que já havia dito: que presidente da República deve ser presidente por um mandato apenas. Estou fazendo um gesto público. Acho que é um gesto para mostrar que não é um projeto pessoal, é de país”, disse.